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A burocracia no jornalismo esportivo

Por sugestão de um colega decidi, novamente, mudar a programação de temas para a “coluna da vez”. Agora, além da pauta, outro assunto fica …

Por sugestão de um colega decidi, novamente, mudar a programação de temas para a “coluna da vez”. Agora, além da pauta, outro assunto fica na prateleira para aproveitamento futuro: os prêmios de jornalismo. Certamente, um enfoque interessante e, por vezes, muito polêmico.

Dias atrás, ao participar de um evento em Porto Alegre, comentei com este colega sobre as limitações, as dificuldades que existem para um jornalista fazer coberturas rotineiras de treinamentos e jogos, não apenas de futebol. Tive a sorte de começar a carreira em uma época em que o acesso aos treinos, aos jogadores, dirigentes e treinadores era bem mais tranquilo. A cobertura pós-jogo, então, era permitida até nos vestiários, nas banheiras… E entrevistávamos quem nos interessava.

Hoje, quanta diferença! Se os jornalistas ganharam em agilidade com a evolução tecnológica dos equipamentos e sistemas de comunicação, perderam muito em função da burocracia – alguns diretores e assessores de imprensa dos clubes preferem dizer que são normas de organização. Atualmente, forçando a barra, claro, pode-se afirmar que, para entrevistar o reserva de um reserva do time sub-X, é preciso protocolar um pedido ao presidente, ao vice de futebol, ao vice jurídico, ao assessor de imprensa do clube, ao procurador do atleta, ao assessor de imprensa do atleta, ao pai, à mãe e ao dindo… ufa! Ah! Sem esquecer do porteiro do clube, que dará o “carimbo” final.

No caso de treinadores, alguns se davam ao luxo (nada proposital ou referencial a um certo técnico que andou por estas bandas recentemente) de estabelecer um máximo de entrevistas coletivas por semana. Geralmente duas. Não importava se um fato novo ou interessante ocorresse. Ele só dava entrevistas coletivas às terças e às sextas… e talvez, uma “palhinha” depois do jogo. Se conveniente lhe fosse.

Claro, no item do jogador exagerei de propósito porque em muitos casos é quase isso que acontece. Se não for feito um pedido formal, dificilmente, será autorizada a entrevista. E pelas normas atuais, após treinos e jogos, o clube escolhe um jogador para a coletiva. Raramente é aquele que foi objeto de suas observações ou foco de algum contexto importante. Mas é o que o clube oferece, tipo… “É pegar ou largar”. Isso é comum após os jogos. Como forma, digamos, de burlar esta mordaça, os repórteres que estão na parte interna do campo ainda conseguem algumas declarações rápidas de algum atleta, treinador ou dirigente à saída do gramado.

Ainda não chegamos ao cúmulo de ter de pagar por uma entrevista, embora em alguns casos excepcionais isso já tenha ocorrido. Mas não tardará a acontecer. Formalmente, digo. Anotem.

Em outras atividades, essa regra ainda não foi implantada, exceto para alguns artistas e cantores – que se acham deuses. No segmento econômico-político existe mais acessibilidade e só complica mesmo quando se trata de um ocupante de cargo de primeiro escalão, com agenda cheia. Mas se a entrevista ocorrer em algum evento, geralmente a autoridade não se opõe… desde que não seja muito longa. De qualquer forma, a tendência é que a burocracia torne-se cada vez mais um dificultador de tarefas até chegarmos àquela célebre frase: “É mais fácil falar com o Papa”. Não deixa de fazer sentido, pelo menos no caso do Papa Francisco.

Abordei este tema também em função de eu usar uma foto interessante no meu perfil do Facebook, onde apareço ao lado de Diego Maradona. Pois foi durante uma entrevista. Hoje seria quase impossível, mas a história dessa foto deixo para contar em uma coluna especial. Querem saber mais? Acompanhem os próximos capítulos dessa agradável experiência de escrever sobre jornalismo.

Autor

Julio Sortica

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