Porto Alegre ajoelhou-se diante de uma única categoria: a dos rodoviários, na recente greve(encerrada hoje, depois de QUINZE dias) do transporte coletivo. Mais de um milhão de pessoas afetadas diariamente por uma única categoria. Nunca, em toda a minha vida, havia visto um sindicato tão poderoso e que desrespeite tão pouco uma população inteira.
Foram tratamentos de saúde imprescindíveis não realizados(quimioterapia, hemodiálise, entre outros), consultas médicas, cirurgias, além do deslocamento ao trabalho(quem pagará o prejuízo que as pessoas tiveram, ao ter que desembolsar R$ 4,00 por vans improvisadas, lotadas e quentes(houve vários casos de pessoas que passaram mal dentro destes veículos), ao invés de R$ 2,80?), prejuízo gigantesco no comércio(e, portanto, queda brusca do faturamento de vendedores, que são comissionados), atraso inclusive no início das atividades das escolas de educação infantil de Porto Alegre? Simplesmente a greve termina e fica tudo por isto mesmo? É revoltante, causa uma indignação muito grande, dá raiva.
Li na manchete de um dos jornais, em seu site da internet hoje que um usuário do transporte coletivo referiu-se à volta dos ônibus como “Apareceu!”. Aí é que está o problema. As pessoas assistiram a uma das greves mais absurdas da história da humanidade sem fazerem nada. Simplesmente submetendo-se às condições absurdas que tinham que passar, de forma passiva. Como gado seguindo para o abate. Tanto foi assim que houve um misto de surpresa com um sentimento de que a volta dos ônibus não é um processo do qual possam participar. “Apareceu!” dá uma ideia de uma coisa mágica, surpreendente, que ocorre de forma passiva na vida destas pessoas.
Não bastassem as condições de vida pelas quais já passa a população de Porto Alegre, ainda este processo revoltante.
Outro fato extremamente significativo nesta greve é que grande parte da categoria de rodoviários queria voltar ao trabalho. Ouvi nas rádios discussões entre trabalhadores e sindicalistas, os trabalhadores bradando que “Eu quero trabalhar!”, tanto por responsabilidade e respeito aos demais cidadãos quanto pelo fato de que muito provavelmente suas famílias pegam ônibus.
Outro fato intrigante é o de que meia dúzia de pessoas (sindicalistas) ameaçava a saída dos ônibus, chegando a apedreja-los. Onde estava a polícia? Eram seis ou sete prejudicando mais de um milhão de pessoas. Está certo isto acontecer?
Por fim, outra coisa ficou clara: o Sindicato dos Rodoviários NÃO representa a categoria dos rodoviários. Estão a um triz de serem destituídos, pois se o sindicato não representa a categoria e este foi eleito para representa-la, ele não possui mais LEGITIMIDADE na condução de seus pleitos. Porém, os únicos que podem destituir este Sindicato são os trabalhadores rodoviários.
Um escândalo. Uma barbaridade. Um horror. Um desrespeito. Algo nunca antes visto na história. Que isto não fique por isto mesmo!

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial