Num texto chamado “Querido Papai Noel”, o Michel Laub pede um monte de coisas. Eu assinaria quase todas sem pensar duas vezes. Mas fiquei matutando com esta, principalmente: “(Que) Autores consigam se controlar e não respondam aos críticos. Entendo o impulso de provar superioridade intelectual, moral e – em casos raros – física, mas a melhor forma de fazer isso é com silêncio público e amargura que estraga a vida familiar”.
Por que se considera de mau gosto responder a uma crítica, mesmo que ela seja claramente burra ou maldosa? O silêncio esmaga a mediocridade do crítico? Pelo que tenho visto, apenas consolida a posição dele no emprego. Demonstrar superioridade não me interessa, mas demonstrar que fui injustiçado, sei não. O que há de ruim em bons argumentos e bons exemplos, escritos com a devida cortesia? Você não tem que chamar o cara de burro filho da mãe. Basta demonstrar isso com elegância. Um crítico, só porque é crítico, não pode escrever impunemente. Ninguém pode escrever impunemente. É preciso sustentar cada palavra.
Por que a vida cultural tem de ser feita de silêncio, de tédio, de água morna e fofocas maldosas na surdina? Eu sou adepto da discussão. Adepto mesmo, não espero que ninguém discuta por mim, nem me sinto ofendido por qualquer um querer discutir o que eu afirmo. Acho um grande prazer argumentar. E, como dizia o Millôr, uma discussão pode não levar a nada, mas acaba com um monte de perguntas idiotas. Se tivéssemos o hábito de discutir, aposto, ia diminuir o número de candidatos a resenhistas.
Adolescentes com mais de trinta anos
Ando com um pé atrás com a nova leva de escritores brasileiros. São tantos adolescentes com mais de trinta anos. Talvez mereçam ser resenhados como são, por outros adolescentes também com mais de trinta. Mas, sei lá, certas ingenuidades, certas poses de suficiência podem ser comovedoras em alguém com quinze anos. Depois dos trinta podem despertar nossos instintos mais baixos.
Deu no UOL
“O jovem chileno Shakespeare Mozart Armstrong Correa Pérez nunca imaginou que cumprir seu dever cívico e votar nas eleições presidenciais do último dia 17 o trariam tanto constrangimento, e decidiu fazer uma queixa por causa das piadas feitas com seu nome nas redes sociais.” Não, não, não vou falar da estupidez dos pais do Shakespeare. Há nomes piores, como os brasileiros Aeronauta Barata, Aleluia Sarango, Antônio Americano do Brasil Mineiro e o inesquecível e sem chapeuzinho Antonio Buceta Agudim. Querem mais um Antônio? Antônio Manso Pacífico de Oliveira Sossegado.
Meu problema é com o jornalista, certamente diplomado. É, o jovem chileno nunca imaginou que votar “o trariam tanto constrangimento”. Eu chuto com frequência a gramática, mas chuto mirando direitinho as genitálias de certas regras que me parecem idiotas, na tentativa de preservar meus ouvidos. Agora, escrever como o jornalista do UOL me faria sentir como o imortal autor de uma placa vista em Santa Catarina, segundo a lenda: “Vende peixe-se”.
Acadêmica
Não lembro o nome da fulana, nem de que universidade é ou era. Importa que ela publicou um livro analisando umas poucas cartas que o Cortázar escreveu, no tempo em que viveu em Chivilcoy, a uma colega de magistério da primeira cidadezinha em que lecionou. A ensaísta acha que havia um clima entre os dois e que depois Cortázar foi embora e se dedicou ao silêncio. A ensaísta fica penalizada. Eu, menos romântico, não consegui ver o que a ensaísta viu. Sem falar que achei cômica a interpretação de uma frase. Cortázar fala da mesmice da vida no interior e diz que naquele fim de semana vai se mandar pra Buenos Aires mais rápido que um jaguar, ou lince, sei lá. Segundo a ensaísta, isso demonstra o amor do Cortázar pelos animais.
Spam
Agora deram pra me mandar um e-mail que garante ter remédio infalível contra queda de cabelo. Podem parar. Já passei da idade de ficar careca. Sempre tive poucos cabelos. Poucos, sim, mas fiéis.

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