Talvez o povo brasileiro seja o que mais fale no mundo. Tem opinião sobre tudo. Seja sobre a novela, seja sobre questões que não domina(de ordem econômica, política, médica, astrológica, da ciência e do cosmos)e sobre preços altos. Nas rádios, nas TVs, na Internet, apresentadores opinam sobre as mais variadas questões, muitas vezes também sem ter o mínimo de conhecimento acerca destes assuntos questões. Ter opinião virou uma espécie de mantra, quem diz que não pode opinar sobre um tema por desconhecê-lo é considerado cidadão de segunda classe, um(que ironia) ignorante.
Falam e falam e falam. Mas silenciam naquilo que é mais emblemático, o que gera mais resultado, o que realmente muda o mundo: na ação. No exemplo. Na atitude. No tirar o traseiro do sofá para ir às ruas. Para protestar, para mobilizar, para mudar. Aí, vejo um gigantesco silêncio. Mudez total nas ruas. Muito, mas muito blablabla mesmo na internet, na TV, nas rádios. Mas na hora do vamos ver…
Outra coisa que sempre me intrigou é porque as pessoas no Brasil, mesmo que perguntadas de questões muito sérias como a alta dos preços, a falta de medicamentos, acabam rindo ao finalizar a sua resposta. Do que será que riem? Qual a graça em ser tratados de forma desrespeitosa? Acham engraçado serem enganadas, roubadas ou feitas de bobas? Sinceramente, preciso que Freud explique.
Igualmente gostaria de pedir aos jornalistas de rádio, tv, jornal e internet de todo o Brasil: não façam graça com a situação social, econômica e política do Brasil. Seguindo a linha da população, eles fazem piadas com ações criminosas de roubos na esfera pública. Riem um riso que não acho graça. Um riso gelado e frio, como riso de morto. Porque entendo que os jornalistas, mais ainda do que a população, são formadores de opinião e portanto devem dar o exemplo. Questões sérias, tratar com seriedade. Quem sabe ajudam a impulsionar uma mudança de atitude nas pessoas?
Porque rir de uma falcatrua, de uma declaração que se sabe que é cretina e hipócrita de um político que meteu a mão no erário público é uma forma(não digo que os jornalistas o façam com esta intenção, mas é o que acaba acontecendo) de amenizar a coisa. De aceitar que não tem jeito mesmo, que o Brasil e os nossos cidadãos e políticos são assim. Que afinal de contas, isto sempre está acontecendo. Sinto uma revolta muito grande quando ouço jornalistas rindo destes crimes ou das declarações sabidamente hipócritas de políticos.
Por fim, gostaria de pedir silêncio. Silêncio nos celulares. Quando se está no cinema, em um restaurante ou mesmo em uma livraria. Noutro dia, estava folheando um livro em uma delas e e entrou um cidadão falando de forma que se ouviria em quase todo o shopping. Falando ao celular, bem entendido. E assim permaneceu. Silêncio nas redes sociais, sobre questões que só envolvem a pessoa A e a pessoa B, não interessam em nada ao restante. Silêncio, este bem tão escasso.
Aqui me deparo com uma situação: tenho três alternativas à minha frente. A primeira é a de que estou envelhecendo e ficando ranzinza. Não descarto. A segunda é a de que estou ficando mais velho e mais sábio. E a terceira é a de que as pessoas estão tendo uma necessidade enlouquecida de falarem mais e mais. Não sei se opto por somente uma das alternativas ou pelas três. Na dúvida, eu peço: silêncio, por favor.

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