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114 anos de Charles Spencer Chaplin

Hoje é o 114º. aniversário de nascimento de Charles Chaplin. Coisas demais a comemorar. Um gênio é pouco para defini-lo. Ele conseguiu unir a …

Hoje é o 114º. aniversário de nascimento de Charles Chaplin. Coisas demais a comemorar. Um gênio é pouco para defini-lo. Ele conseguiu unir a sensibilidade, a poesia, a delicadeza e o amor, tudo isto em (grande parte) em cenários empobrecidos. Mostrou desta forma que a poesia da vida acontece em qualquer cenário. Em qualquer ambiente, a qualquer momento e na forma do amor de um homem/pai por um garoto(The Kid), na forma do amor de um homem por uma mulher, na maneira de retratar a loucura emergente do homem em Tempos Modernos, na ânsia ensandecida de poder de O Grande Ditador.

Ou seja: aos 114 anos, Chaplin é pura atualidade. Isto porque ele conseguiu trabalhar com genialidade as grandes questões humanas, principalmente a sensibilidade e o amor. Mas trabalhou também a ambição, a – como diria Karl Marx – alienação no trabalho e a excessiva atenção que os homens dedicavam ao trabalho em detrimento do convívio.

Relendo o que escrevi, vejo como Chaplin é atual e como o meu texto soa anacrônico. Porque quase ninguém mais está interessado no convívio genuíno. No amor verdadeiro. Na troca, na parceria. Todos estão enlouquecidos ocupados em suas camionetes, pensando na tecnologia 4G que vai estrear no Brasil, em comprar TODOS os ovos de Páscoa possíveis. A vida, como Chaplin a veria hoje, saiu de foco. Ele detectou o início deste fenômeno e documentou(e este é o termo mais adequado) com seu toque de genialidade o que estava começando a acontecer. De lá pra cá, a coisa desandou.

E haverá aqueles que leram até aqui e concordarão comigo. Mas haverá alguns destes que concordarão e não farão nada com esta concordância. Simplesmente balançarão as cabeças de modo afirmativo, pensarão que “É verdade…”. E seguirão suas vidas. Emoções e relações não são lava-jato, há que cultiva-las com cuidado e atenção. Um ditado que pela ditadura(me perdoem) da pressa se perdeu, mas que nunca foi tão atual é: A pressa é inimiga da perfeição.

Eu já acharia maravilhoso não atingirmos a imperfeição, seres imperfeitos que somos por sermos humanos. Mas que tirássemos um pouco desta pressa toda de dentro do coração. Não me refiro ao trabalho, sei como a vida é corrida. Mas se tirarmos a pressa do coração, aí atingiremos um mundo mais próximo da harmonia.

“A beleza é, no meu entender, uma onipresença da morte e do encanto, uma risonha melancolia que discernimos em todas as coisas da Natureza e da existência, essa comunhão mística que sente o poeta… algo assim como um raio de sol dourado e poeira que esvoaça, ou como uma rosa caída na sarjeta”

Autor

Flavio Paiva

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