A Câmara dos Deputados acaba de autorizar (falta passar pelo Senado) a publicação de biografias não autorizadas no Brasil. Honestamente, confesso minha ignorância. Não sabia que não eram permitidas por aqui. Podem ser publicados imagens, filmes ou livros do biografado sem sua prévia autorização.
Assunto bem complicado. Nos Estados Unidos, sei que é permitido. A grande diferença é que por lá se o biógrafo fizer algo irresponsável e leviano, será devidamente processado e – principalmente – realmente punido. Já por aqui, acredito que será criado(a notícia não foi clara quanto a isto) um mecanismo de proteção contra mau uso de uma biografia. O problema é o que de fato acontecerá se o biógrafo caluniar o biografado. Será que dará em alguma punição efetiva? Infelizmente, duvido muito.
Desta forma, acho um assunto bastante complexo. Porque é bom que sejam publicadas biografias não autorizadas, pois contam detalhes que nem sempre o biografado quer que revelem. Na biografia autorizada, espécie de livro chapa-branca a respeito de si mesmo, é natural que haja uma certa seleção. Dependerá do perfil e da personalidade do biografado, mas a ideia é mesmo esta. Li a biografia do Lobão e há ali uma série de fatos que não são muito abonadores à figura dele, mas pela personalidade que ele tem e por ser um roqueiro autêntico, mandou ver. Mas nem todo mundo é assim.
De minha parte, certamente eu teria trechos da minha biografia (não a escrita, a vivida mesmo) que eu desejaria muito suprimir. Coisas das quais me arrependo ou que somente gostaria de não ter vivido. Mas a gente não controla a vida, só uma parte dela(variáveis controláveis) e assim mesmo, o roteiro nunca sai como previsto. Ou quase nunca.

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