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O nazismo e a depilação brasileira

A depilação brasileira virou moda, está invadindo até as virilhas muçulmanas, periga o Talibã começar a explodir nossos institutos de beleza. Enfim, não somos &#

A depilação brasileira virou moda, está invadindo até as virilhas muçulmanas, periga o Talibã começar a explodir nossos institutos de beleza. Enfim, não somos mais um país apenas de futebol e música popular. Um dia, quem sabe, faremos filmes e escreveremos livros com a mesma destreza com que depilamos nossas mulheres. Cuidem-se, grandes potências.

Mas, mesmo estremecido de orgulho, não deixo de pensar: quem decidiu que uma mulher fica mais bonita com um bigodinho do Hitler entre as pernas? Ou a testa ampla do Yul Brynner? Será uma campanha de elementos ressentidos do movimento gay? Afinal, esses elementos impuseram um saco de ossos como ideal nas passarelas. Acho as mulheres fantásticas — mais fortes e práticas que os homens, com uma inteligência mais efetiva —, mas elas têm um ponto fraco, incrivelmente fraco. Em matéria de beleza elas ouvem todo mundo, menos os homens. Isso ainda vai ser a perdição delas.

Folhetim online

Li em algum lugar que uma escritora escreve um romance online e nós, leitores, podemos acompanhar tudo, no exato instante em que ela o digita. Quem lucra com isso? E o que se lucra? Eu, como leitor, quero o produto final, acabadinho. Não tenho tempo nem saco pra esperar essa senhora se decidir por um adjetivo ou outro, se é que ela tem esse tipo de preocupação. Ou pra deletar um parágrafo que ficou mal e reescrevê-lo. Ou refazer um diálogo por vinte vezes, inserindo frases novas e cortando velhas, depois reinserindo as velhas e cortando as novas, ou qualquer outra variante, como acontece a todo momento com escritores que se preocupam com o que dizem. Ou, pior de tudo, chegar quase ao fim ou mesmo ao fim e descobrir que tudo está uma porcaria tão grande que nem nossas tias mais queridas poderiam aguentar.

Eu escrevo com extrema dificuldade, com avanços mínimos e recuos imensos. Como se diz no ramo, eu quebro pedra. É penoso. Uma luta tão íntima que não quero ninguém por perto. Prefiro fazer com a porta fechada e depois lavar as mãos.

Raquel Robles

Perguntaram à escritora argentina por que escolheu escrever com humor sobre um assunto tão sério como abuso às mulheres. Achei bela a resposta: “Há assuntos que você não pode tratar se não for com humor. Há coisas que só se pode dizer se você falta com o respeito por elas”.

Como ser mulher

Caitlin Moran é a autora de Como ser mulher: um divertido manifesto feminista. Perguntaram a ela: “Coco Chanel disse que uma mulher sem amor é uma mulher perdida. Você concorda?” Resposta: “Jamais! Você sempre pode se masturbar”.

Tenho minhas dúvidas de que Coco Chanel estivesse falando de amor físico. De qualquer forma, sentir um corpo, seu calor, é uma coisa que faz um bem danado, não só às mulheres, frise-se, apesar da obviedade. Você nem precisa gostar tanto assim da pessoa, nem precisa de orgasmos múltiplos. A solidão é um negócio tão complicado que se você não tem amigos ou amigas, amantes, parentes, recomenda-se um gato ou um cachorro. Se masturbação fosse o remédio pra nossa necessidade de dar e receber afeto, estava feito o carreto.

Enfim, perdi a vontade de ler o manifesto da Caitlin Moran.

Caitlin Moran e o orgasmo múltiplo

Perguntaram se a vida dela seria mais fácil se ela fosse homem. Resposta: “De forma alguma, eu sinto pena dos homens, pois eu posso ter um orgasmo múltiplo, algo que eles nunca vão poder experimentar. Chega até a ser um pouco injusto. Eles ficam com quase todo o trabalho, mas na hora ‘H’ somos nós que desfrutamos da melhor parte”. Enfim vejo uma mulher reconhecer, em público, um dos fatos básicos da vida.

Autor

Ernani Ssó

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