As Olimpíadas de Londres, conforme informações, receberam alguns milhares de turistas a menos do que o previsto. Também houve um fiasco pelos grandes vazios nas arquibancadas. A explicação veio dos organizadores: eram ingressos distribuídos a públicos VIP, que não haviam comparecido. Explicação dada, talvez tenha sido pior. Se não foram, é porque não houve interesse.
No Brasil, os clubes de futebol da primeira divisão penam para arrecadar patrocinadores. Corinthians e São Paulo, para citar dois dos maiores, estão sem patrocínio na camiseta. A explicação poderia ser atribuída à crise econômica mundial e tal, mas não pode ser aceita. O Manchester United acaba de fechar o maior contrato de patrocínio da história do futebol, no valor de R$ 1,13 bilhão por 7 anos de contrato. O que falta aos clubes brasileiros infelizmente ainda é profissionalismo e competência.
Os clubes foram aumentando gradualmente os valores pedidos em patrocínio sem, no entanto, aumentarem e inovarem nas formas de retorno. Resultado: as empresas começaram a fazer a conta de que valia mais a pena – se era somente para expor suas marcas – voltar a comprar mídia em TV, rádio, jornal, Internet, etc. E os clubes estão aí, remando para encontrarem receitas.
O marketing esportivo, ao longo das duas últimas décadas, experimentou um crescimento exponencial em termos de volume de transmissões, geração de receitas e mesmo interesse por parte da audiência.
Porém, estamos chegando no limite. Os canais estão entupidos de transmissões esportivas, os veículos de comunicação abordando de forma frenética as empresas para patrocinarem suas transmissões e coberturas e o interesse do espectador diminuindo. Está diminuindo na audiência de TV e na presença nos estádios. Porque, como em tudo no Brasil, foi praticado um esgotamento do modelo. Overdose de transmissões, de negociações de patrocínio, aumento de preços em um nível acima dos ganhos dos torcedores. O resultado é um decréscimo geral de interesse e vendas.
Claro, o torcedor não vai deixar de acompanhar futebol, assistir às transmissões, comprar produtos do seu time, etc. Porém, os clubes precisam entender de uma vez uma máxima que a estilista mais famosa de todos os tempos – Coco Chanel – dizia: menos é mais. Muitas vezes, isto é verdade. É chegado um momento de redução. Ou a grande onda do marketing esportivo pode virar uma marolinha. Perdem todos, neste caso: clubes, federações e confederações, veículos de comunicação, torcedores, jogadores. Ocasionalmente, é preciso recuar. O excesso de qualquer coisa na vida acaba fazendo mal. Parada para pensar, bola ao centro.

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial