Começando 2012, estão sendo premiados o Bola de Ouro (Lionel Messi, Argentina), os clubes brasileiros estão em pré-temporada, os patrocínios acertados se preparando para estrear ou continuar nas camisetas. Estádios sendo construídos, torcedores em aquecimento. Contratações importantes, outras nem tanto. Segue a vida do futebol. Mais ou menos.
Porque a preocupação com a violência dos torcedores nos estádios – e fora deles – é inédita. Não havia notícia de tanta preocupação (ainda não totalmente transformada em ação, exceto algumas iniciativas do poder judiciário) com este tema. O problema é que o problema não está nas arquibancadas. Ou não se origina nelas. O problema é muito mais profundo, está entranhado na sociedade. As arquibancadas são o reflexo da deterioração das relações sociais. Há um facilitador que é o de os marginais poderem se infiltrar na multidão. Dentro de um grupo, suas ações são facilitadas.
Cresci assistindo ao futebol nas arquibancadas e nunca me deparei com este problema. Havia os beberrões, que ou ficavam deprimidos ou violentos. Para os violentos, havia a repressão da polícia e isto parecia suficiente. Agora, porém, temos uma sociedade que está extremamente violenta. Não apenas do ponto de vista de crimes, homicídios, roubos, tráfico de drogas e outras mazelas. A sociedade está violenta quando o foco é o individualismo, quando a solidariedade se torna apenas uma palavra bonita. Também está violenta quando falta o respeito com o cidadão. Falta de respeito de um cidadão para com o outro, de organizações para com clientes, de pais para com seus filhos, do governo com os cidadãos. Quando multiplicam-se os deveres e rareiam os direitos. E quando, para que estes direitos sejam exercitados, é preciso que compremos uma passagem para o Vaticano.
Esta violência está entranhada na sociedade e a corrói diariamente. As ações implementadas pelo poder judiciário e apoiadas pelos clubes são extremamente necessárias, indispensáveis. Entretanto, se não houver uma ação profunda por parte de todos (governos, cidadãos, organizações publicas e privadas, governamentais e não governamentais), prenderemos no varejo o que está no atacado. Além disto, se prender é necessário, a punição é mais do que necessária. A punição efetiva é que motiva os deliquentes (e não somente estes, mas também os cidadãos) a pararem de cometer tal crime. Lembremos o que motivou que passássemos a usar o cinto de segurança? Punição, efetiva e em dinheiro. Início do ano é tempo de repensar, refazer, começar de novo para melhor. Vamos iniciar com um pensamento abrangente, dedicado a tentar equacionar as causas da violência nas arquibancadas e fora dela.

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