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Historinhas verídicas 2

1. Senhor sério — Sem nome e sem endereço, por favor. Digamos um prefeito ou presidente do Rotary, algo assim. Não sabia discursar. Pediu …

1. Senhor sério — Sem nome e sem endereço, por favor. Digamos um prefeito ou presidente do Rotary, algo assim. Não sabia discursar. Pediu ajuda a uma amiga minha. Ela prontamente escreveu um discurso curto e claro que ele poderia usar sempre. Didática, começou assim:

— Bom dia, boa tarde, boa noite (conforme a ocasião) senhoras e senhores…

Não deu outra: no primeiro discurso, ele mandou:

— Bom dia, boa tarde, boa noite, conforme a ocasião, senhoras e senhores…

2. Mãe é mãe — Menino desce da calçada, sem olhar. Vem um carro a toda. A mãe o agarra pela camisa e o puxa com violência. O menino começa a chorar e a mãe o enche de tapas. Comentário do meu primo, que assistiu a cena: ele apanhou porque não era imortal.

3. O gambá de Troia — Ele teve a ideia porque na mesma semana dois passageiros tinham esquecido coisas no táxi que foram roubadas pelos próximos passageiros. Pegou o gambá que tinha matado no forro da casa, pôs numa caixa de sapatos, que embalou para presente. Com a caixa atrás, no assoalho do carro, foi ao trabalho.

Logo duas mulheres o pararam. Deram um endereço e começaram a conversar. Ele apenas vigiando pelo espelho retrovisor. Quando elas viram a caixa, a conversa parou um instante.

Chegaram ao endereço, uma casa em Petrópolis. Elas pagaram e desembarcaram num silêncio mortal e com a caixa de sapatos. O taxista seguiu meia quadra, fez o retorno e estacionou do outro lado da rua. Esperou. Pouco depois viu as duas mulheres indo para o fundo do quintal, onde trataram do enterro do gambá. O taxista continuou esperando. Quando, enfim, as mulheres voltaram para a casa, ele foi até o portão e tocou a campainha.

Uma das mulheres veio atender.

— A senhora me desculpe, mas acho que a senhora pegou enganada uma caixa minha.

A mulher começou a esverdear.

— Era desse tamanho, enrolada para presente.

A mulher gaguejou, ainda atarantada:

— Não, eu…

— Continha um gambá.

Ela respirou fundo, levantou o queixo.

— O senhor está brincando comigo!

— Não, minha senhora. A senhora enterrou ele ali no quintal. Podia fazer o favor de me devolver?

4. Motorista sem limite — Sábado de manhã, proximidades do Parque Marinha, Porto Alegre. Ruas desertas. Uma senhora vinha pela avenida José de Alencar e ficou indecisa, no final. Seguia pela direita pela Praia de Belas ou pela esquerda, do outro lado do canteiro, em direção à Borges de Medeiros? Nessa indecisão, seguiu em frente e acertou uma árvore no meio do canteiro.

Um amigo meu ia passando, correu para ver se a mulher tinha se machucado. Estava inconformada:

— Também, com uma sinalização dessas!

5. Citação — Não, não é verídica, mas por detalhe, como vocês perceberão.

Uma das tantas crônicas do Luis Fernando Verissimo que não esqueço conta a história de um cara que deu em cima de uma mulher por meses. Até que, uma madrugada, ela disse sim. Ele, emocionado, olhou o relógio e disse:

— Pode ser amanhã? Queria passar no bar pra contar pros amigos. Ainda dá tempo.

6. Velhinha — Rapaz foi visitar a tia velhinha, saber como estava — sofria de hemorróidas, entre outras coisas. Na saída, quando ele já estava na rua, a tia botou a cabeça para fora da janela e gritou:

— Diga pra tua mãe que da bunda eu tou boa, mas a cabeça continua variando.

Autor

Ernani Ssó

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