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Onde estão os distintivos?

Semanas atrás, falei sobre a poluição visual que tomou conta de estádios e camisetas de clubes, com a ocupação dos espaços sem um critério …

Semanas atrás, falei sobre a poluição visual que tomou conta de estádios e camisetas de clubes, com a ocupação dos espaços sem um critério pré-definido. Parece que quanto mais marcas por centímetro quadrado, melhor. O resultado disto é o de um festival de marcas, sem qualquer harmonia e planejamento visual. Em poucas palavras, um horror.

Pois nesta semana resolvi abordar outro item que está se rendendo a esta lógica: o backdrop das salas de entrevistas dos clubes (para aqueles que não conhecem, o backdrop é o painel que fica ao fundo das salas de entrevistas dos clubes. Desta forma, quando os jogadores, dirigentes ou técnico concedem entrevistas, estas marcas têm local de destaque na transmissão de TV e fotos para jornais e internet). Está em curso uma anomalia, que é a de os clubes simplesmente retirarem os seus distintivos para que mais marcas possam explorar estes espaços. O resultado disto é que backdrops de clubes simplesmente não têm mais os distintivos dos clubes. Uma verdadeira crise de identidade, uma despersonalização da própria agremiação. Alguns clubes simplesmente suprimiram os distintivos, outros os retiraram e incluíram o nome do clube, outros ainda reduziram expressivamente a presença dos seus brasões.

Como atuo na área há mais de 16 anos, entendo perfeitamente que os backdrops sejam explorados por marcas patrocinadoras. É um dos raros momentos nas coberturas esportivas em que a câmera é obrigada a filmar de forma estática, resultando numa ótima exposição para os patrocinadores. Até aí, é justo é louvável. São eles que investem nos clubes, gerando parte importante do faturamento. Assim sendo, está correto que obtenham retorno ao seu investimento. (Para constar: nas entrevistas de jogadores ou treinadores ao final dos jogos, os veículos insistem em filmá-los de tal forma próximos que consigo ver se os poros estão abertos, se a barba está por fazer, detalhes que sinceramente não me interessam. Portanto, os backdrops talvez representem um último reduto que evita esta prática.)

Porém, o que não pode acontecer é que os clubes se prostituam a tal ponto que simplesmente desapareçam. A continuarmos nesta escalada, em breve teremos times inexistentes, sem identidade, totalmente loteados às empresas patrocinadoras. Só há um detalhe: o torcedor (com o perdão do pleonasmo) torce pelo seu time. Não pelas empresas patrocinadoras. Ele as vê com simpatia, pois estão investindo em sua paixão, mas jamais torcerá por uma empresa de bebidas, por um banco, por uma empresa. E vamos deixar claro: não são as empresas patrocinadoras as responsáveis por isto. Elas ocupam os espaços que os clubes lhes oferecem e validam. Os responsáveis são os próprios clubes.

Tudo na vida é uma questão de dose e a exploração dos backdrops foi longe demais. Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Os dirigentes devem estar atentos a não lotearem de tal forma os clubes que acabem por reduzir o interesse dos torcedores, matando a galinha dos ovos de ouro.

Convidado comentarista da semana

Nesta semana, o meu convidado comentarista é o Luiz Carlos Reche, jornalista esportivo, radialista, apresentador de TV e colunista do Grupo Record e da Ulbra TV. Apesar de sua juventude, possui algumas décadas de experiência na área. Obrigado, amigo Reche!

Concordo literalmente. Virou uma poluição só. Poderia se fazer uma negociação diferenciada, mas a própria Seleção Brasileira está agindo dessa forma. O que deveria haver era um aproveitamento comercial destas empresas em sites dos clubes, revistas, campos suplementares, campos de treinamentos, arenas, etc para tentar despoluir em outras situações. Ou seja a lei da compensação. O Barcelona recém agora está colocando um patrocinador na sua camisa. Mas tudo virou business a qualquer preço. Vamos faturar. O torcedor, bem este é um detalhe cada vez menor. Quando deveria ser o contrário.”

Autor

Flavio Paiva

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