Se o time delas ganha, tiram a roupa. Se elas protestam contra qualquer coisa, tiram a roupa. Certo, nem todas as mulheres, mas o número das peladas comemorando ou protestando tem aumentado. Não reclamo, não. Só não entendo. Me parece lógico andarem peladas pra comemorar, agora, pra protestar? Se alguma dessas rebeldes me explicar direitinho prometo tirar a roupa também.
Dicionário do mau digitador
Vão achar que é mentira, mas, quando fui digitar protestando, me saiu “protestetando”. Coisa contagiosa, sô.
História da eternidade
Jorge Luis Borges lançou o livro em abril de 1936. No fim do ano, tinha vendido 37 exemplares. Não levou uma eternidade pra ser descoberto, mas décadas. Mesmo hoje, quando Borges é considerado um dos mais importantes escritores do século 20, os livros dele não vendem nem metade do que vende qualquer abominação como, sei lá, Paulo Coelho, que até chupou um dos melhores contos do Borges. Vamos lá, María Kodama: tira, tira, tira.
Borges
Sim, Borges hoje é praticamente unanimidade: um dos grandes escritores do século 20. Mesmo que a maioria dos leitores dele não seja capaz de explicar por quê. Estou pensando seriamente em tirar a roupa em protesto.
C’est la vie
Numa mesma semana, tive um livro premiado e outro recusado, ambos por motivos misteriosos. Tirei a roupa, não em comemoração e protesto ao mesmo tempo. É que tiro a roupa todo dia pra tomar banho.
Ação trabalhista
A stripper ameaçou tirar a roupa em protesto pelas condições de trabalho.
Pat Garret e Billy the Kid
Esses dias, por um desses acasos da televisão, assisti de novo o filme de Sam Peckinpah, quase quarenta anos depois. Billy é apresentado como um sujeito simpático e sorridente, cortês e irônico, vítima dos verdadeiros criminosos, os fazendeiros, banqueiros e comerciantes que contratam bandidos como xerifes. Certo, Billy the Kid não foi o pistoleiro que matou vinte e uma pessoas em duelo, fora mexicanos, como conta a lenda. Pelo que se sabe, matou três ou quatro. A primeira talvez em legítima defesa. Agora, esse cavalheiro sereno que, em vez de fugir pro México, fica para combater a corrupção é demais. Billy foi apenas um pobre-diabo, preso a primeira vez por roubar comida, que se meteu com ladrões de cavalo e depois se viu no meio de uma guerra de ricos corruptos. Foi morto covardemente por Pat Garret, mas essa conversa de que tinham sido amigos antes parece ser conversa apenas, coisa inventada pra dourar mais a imagem de Billy. Apesar de heroísmos, o faroeste foi uma aventura mais prosaica, muitas vezes triste e sórdida, como todas. Se a gente quer um sabor de verdade, deve ler o duelo descrito por Mark Twain em “Huckleberry Finn”, ou assistir o velho Clint Eastwood em “Os imperdoáveis”. Ou então tirar a roupa em protesto.
Esperança
Espero ver mulheres tirando a roupa em protesto por essa mania das mulheres tirarem a roupa em protesto, atitude que deverá ser comemorada por outras mulheres tirando a roupa também.

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial