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Jornalismo antropofágico

Na Folha de S. Paulo: “Os Estados brasileiros gastam ao menos R$ 30,5 milhões por ano com aposentadorias e pensões para ex-governadores ou suas …

Na Folha de S. Paulo: “Os Estados brasileiros gastam ao menos R$ 30,5 milhões por ano com aposentadorias e pensões para ex-governadores ou suas viúvas. Com esse valor seria possível erguer 800 casas populares”.

Mais adiante: “Na Paraíba, o ex-governador Ronaldo Cunha Lima é um dos beneficiados. Em 1993 ele atirou contra o ex-governador Tarcísio Buriti. Buriti sobreviveu, mas morreu há sete anos, vítima de problemas cardíacos. A mulher dele recebe a pensão. Outra viúva beneficiada é a de Leonel Brizola, ex-governador do RJ e RS, morto em 2004. Marília Guilhermina Martins Pinheiro acumula pensão dos dois Estados. No total, recebe R$ 41 mil”.

Está lá, um quadro com todos os beneficiários da aposentadoria vitalícia. Coisa mais linda do mundo.

Outra matéria da Folha exibe o que pensa Tarso Genro do assunto: “Não compartilho da visão que a pensão em si mesmo seja um erro. O que pode estar errado são os valores. Estão errados os tetos dos salários do serviço público. São extremamente elevados em relação aos mínimos valores que recebem a base do serviço público”, disse.  Ah, e claro: “A inclusão do ex-governador Pedro Simon (PMDB) entre os privilegiados, mesmo acumulando salário no Senado, reacendeu a polêmica no Estado. Simon diz que vai avaliar se continuará recebendo a pensão em março, quando voltar a Brasília”.

Ainda a Folha: “O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) afirmou que, ao solicitar R$ 1,6 milhão em aposentadoria retroativa para ex-governadores, tinha planos de direcionar o dinheiro a instituições de caridade”.

É legal? Não é legal? Julga daqui, de lá, justiça, isso, aquilo.

Com certeza, imoral.

Muda alguma coisa ficar com ânsia de vômito e pensar que a vida é sacana com a grande maioria? Nada. Só estraga o fim de semana de se enojar com tudo isso. Depois, anestesia. Acostuma. Desde D. João a coisa é assim por aqui e o que se ouve, e muito, é pai e mãe dizendo pra filho fazer concurso, “pra garantir” a vida. Claro: se compromete a fazer oito horas diárias e dá no máximo a metade, isso quando dá, e ainda ganha benefícios,  e a possibilidade de ser exonerado é remotíssima. Como estranhar que a esbórnia encante tanto aos “homens públicos” deste Brasil? Se um ganha, o outro também tem direito.

Tudo o que se disser para criticar será inútil e lugar comum, sem qualquer chance de mover uma palha na realidade criada e alimentada com carinho pelos poderosos de todas as facções, ideologias, credos, estratos sociais, escolaridade, etc. Só bla bla bla.

E o jornalismo, em meio a isso tudo? E o jornalista que cava as informações e assina as notícias? E o jornalista que assessora quem é motivo destas informações? Como dizia Tuio Becker, duas horas depois de lido, jornal serve pra embrulhar peixe na feira. Hoje, Tuio, nem isso. E, na internet, as informações e notícias são imediatamente substituídas por outras, antropofagicamente. Em alguns casos, ficam os saquinhos cheios de vômito junto a laptops, desktops e outros tops.  Mas só em alguns casos.

Autor

Maristela Bairros

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