Quem estará por trás do site Wikileaks? Um grande empresário? Um político muito rico e disposto a botar na janela a bunda não só dos Estados Unidos mas de boa parte do mundo? Um excêntrico com acesso a fontes vingativas? Um bando de garotos debochados que dominam internet e entram onde querem a hora que desejam?
A coisa mais clara, nesse espaço dedicado a jogar no ventilador todo o cocô de que puder dispor é que o alvo principal da fofocada é os Estados Unidos. Seja para denunciar abusos em políticas externas seja para divulgar bobagens que parecem bilhetes de adolescentes contra amiguinhos com quem estejam “de mal”, no centro de toda a função está o país mais influente do planeta.
Entrei no site mais de uma vez e me deu uma preguiça medonha de tentar buscar alguma informação que fosse. Nessa hora, fico com dó de meus colegas de diferentes mídias que precisam, por força de sua função, fuçar, de algum modo, nos milhares de “documentos” revelados.
Primeiro, como achar algo de fato importante no meio de tanta desimportância? Segundo: qual o critério para revelar o que é, de fato, merecedor de análise e de difusão? Editorialmente, como filtrar o que é notícia mesmo, o que é informação de impacto e de valor, o que pode ter papel positivo nas relações entre os povos, os governos, os cidadãos?
Só tenho dúvidas quando fico diante de um site como este. Ao mesmo tempo que defendo o democrático direito de acesso à informação e de livre expressão, me incomoda pressentir segundas intenções no que o wikileaks faz.
Bizarro, pra dizer o mínimo, o tal Julian Assange, com sua cara branca, cabelo ensebado, jeito de testa de ferro, parecendo um espectro disposto a assombrar todos os poderosos da Terra. Ainda mais estranho é que o site se declara “uma organização transnacional sem fins lucrativos” destinada a divulgar o que chama de “assuntos sensíveis”, uma definição que abrange tudo, dependendo da visão de cada um dos seres humanos.
Até quando Assange, já na mira da Interpol sob acusação de crime sexual, e seu site vão continuar ativos, não sei. Ou alguém duvida que não só Estados Unidos mas também cada um dos alvos que dispõem de um número mínimo de hackers cooptados ou não pelo “sistema” estão acessando as fontes e preparando um contra-ataque?
Como se vê nestas poucas linhas, são muitas as interrogações e quase nada de afirmações. Por enquanto, preguiçosamente, vou lendo e ouvindo o que está sendo pinçado de toda a papelada virtualmente fuçada pela organização que jura ter sido fundada por dissidentes chineses e outros rebeldes e que gasta alguns milhões de dólares, vindos sabe-se lá de onde, para se manter. Acima de tudo, fica minha desconfiança com esse tipo de coisa que não diz a que veio e parece ter compromisso apenas com seu próprio umbigo.
