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Os desafios de Dilma

Depois de temer que Dilma se transformasse numa “Lula de Baton”, The Economist partiu para assuntos mais prementes, ou seja, os desafios do próximo …

Depois de temer que Dilma se transformasse numa “Lula de Baton”, The Economist partiu para assuntos mais prementes, ou seja, os desafios do próximo governo. “O trabalho de Rousseff foi predeterminado para ela. Lula deixou desafios que se tornam mais difíceis a cada dia”, registra o jornal. Como aspecto principal, chama a atenção para o fato de a economia brasileira estar superaquecida, estimulada pelos afluxos de capital. Outras análises internacionais concordam com The Economist em relação ao futuro de Dilma na presidência.

Afluxos estes gerado em parte pela badalação da ascensão do Brasil e em parte pela política do Federal Reserve (banco central americano), que mantém as taxas de juro baixas (há outra saída?) e espalha especuladores pelo mundo, munidos de dólar barato. É a guerra cambial, na qual o protecionismo pode macular a globalização. Dilma já nomeou Guido Mantega como ministro da Fazenda para enfrentar este vendaval. O currículo de Mantega tem seu pilar mais sólido na sua habilidade em manter o Brasil com pouquíssimos danos na grande crise de 2008.

A guerra pode reacender a inflação, manter as taxas de juros de longo prazo anormalmente altas e forçar uma desaceleração econômica. Há uma profunda fraqueza estrutural no país, causada pelo fracasso em investir em seu próprio crescimento. A taxa de investimento do país é de 18% do PIB. A taxa do México é de 22% e a da China, de 45%.

Rousseff deseja que o Estado exerça um fator maior no desenvolvimento através do BNDES, o que não é necessariamente a melhor solução. A tradição do Brasil de alto investimento no setor público, seja dirigido a parte do setor privado, frequentemente empurra para fora este mesmo setor privado, estimulando a burocracia e a corrupção”, afirma o Financial Times.

Um ponto de pressão é o próprio Lula, que, independente do que diga, vai querer alguns assessores e aliados no novo gabinete. Outras reivindicações, ou pressões, vêm de seu principal aliado, o PMDB, e dentro de seu próprio partido, o PT.

A tendência de Lula foi mais agir como um líder do terceiro mundo do que como uma potência mundial. Conquistou relevância no G20, mas não conseguiu grandes progressos nas crises regionais. “Adorava a ovação no palco mundial e desprezar Washington”, registra o Financial Times. Qual será a tendência de Dilma? Obama quer que a primeira foto seja com ele. Uma suspeita, levantada por The New York Times: “Roussef deve se envolver menos nos assuntos mundiais e mais em assuntos regionais, talvez se inclinando mais do que Lula na direção do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, do presidente da Bolívia, Evo Morales, e de outros membros da esquerda radical regional”. Temor americano pelo seu passado de guerrilheira?

Autor

Iara rech

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