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Considerações sobre a guerra cambial

Desde que atenuou-se a crise de 98, uma nova ebulição sacode o mercado: a crise cambial. Robert Zoelich, presidente do Banco Mundial, prefere chamar …

Desde que atenuou-se a crise de 98, uma nova ebulição sacode o mercado: a crise cambial. Robert Zoelich, presidente do Banco Mundial, prefere chamar de “tensão cambial”. Kurt Kerrer, do FMI, acredita que a guerra já está em curso. Estou mais com Kerrer, apesar das inúmeras reuniões do G20 (países mais ricos, emergentes, União Européia), com os países emergentes tentando desesperadamente defender suas moedas de uma valorização que prejudica suas exportações, e optando por desvalorizá-las.

O Brasil aumentou de 2% para 6% o Imposto sobre Operações Financeiras em papéis de renda fixa, medida que Delfim Neto classificou de “curto prazo”. Não deu receita. Milhões de dólares aportam no Brasil devido aos altos juros pagos pelos títulos públicos. A Bolsa continua aberta à especulação. Luciano Coutinho, presidente do BNDES, foi taxativo: “A apreciação da taxa de câmbio é nociva. Não podemos ser ingênuos. Tempos que proteger a competitividade das empresas no Brasil”. Coréia do Sul e Japão já tomaram medidas.

Explanada a doença, quem são os vilões?

O Banco Central dos EUA vem imprimindo moeda para estimular a economia, já que sua taxa de juros próxima a zero não admite vôos na política econômica. “Enquanto os americanos continuarem imprimindo dólares, o real vai se valorizar de qualquer forma, não importa que tipo de controle seja colocado em prática”, diz Alfredo Coutiño, diretor para a América do Sul da agência de risco Moodys.

Na opinião de Coutiño, a moeda brasileira tem uma “forte tendência” de alta frente ao dólar, mesmo com as medidas para coibir o fluxo da moeda americana para o país. ‘Estas medidas podem reduzir a velocidade, mas este dinheiro não vai parar de entrar”. Mesmo tendo deixado o pior da crise financeira para trás, os americanos ainda encontram dificuldades para fazer a economia deslanchar, o consumo interno custa a reagir, o desemprego chega a 9,6%. Enquanto isto, a máquina da imprimir dólares funcionará. Serão lançados US$ 500 bilhões em bônus no mês de novembro.

Surpreendente, o outro vilão, a China, com seus tentáculos de maior exportador do mundo e yuan fixo, que todos querem valorizar, está tomando um posição que aparentemente é maleável. Há duas semanas, um dos diretores do banco central chinês disse que o governo tem como objetivo reduzir o superávit de 4% do PIB no decorrer do próximo período de três a cinco anos. Li Daoki, assessor do banco central, disse que um superávit da balança comercial da China já está caindo, devido ao aumento dos salários, ao forte consumo e ao deslocamento de indústrias para o interior do país. “As forças de mercado estão obrigando a China a promover este ajuste, gostemos não ou destas medidas”, advertiu.

Nos dias 11 e 12 de novembro haverá uma reunião dos presidentes do G20 que deve oferecer subsídios mais consistentes do que a realizada entre os ministros da Fazenda do bloco no último mês de outubro. Veremos com se comportam o dono da moeda mundial, os EUA, e a China, que sistematicamente recusa a seguir metas impostas, preferindo suas próprias diretrizes.

Autor

Iara rech

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