“No caso da China há uma falta de equilíbrio, coordenação e sustentabilidade no desenvolvimento econômico”. Quem fez esta afirmação não foi um dos gaviões do Congresso americano, que deseja impor sanções econômicas à China caso ela não valorize o yuan, para eles a fonte de todos os males do comércio dos Estados Unidos.
Não, esta afirmação é do primeiro-ministro chinês Wen Jiabao na última semana, no chamado “Davos de Verão”, em Tiaijin, China, frente a um encontro com dignitários estrangeiros. “Mas é justamente neste desequilíbrio que reside o dinamismo da economia chinesa”, rebate Andy Grove, chairman da Intel, numa curiosa inversão de posições.
Equilíbrio exige oferta e demanda ajustadas, fluxos de crédito compatíveis, legislação rápida e adequada e, acima de tudo, não comprometer a economia das gerações futuras. Para Martin Wolf, colunista sênior do “Financial Times”, quem está certo é Wen: “A economia da China foi a que mais cresceu na história. Isto em parte por ser tão desequilibrada. Quanto mais o reequilíbrio é adiado, mais dolorido será o reajuste”.
Talvez o que “os capitalistas” esqueçam, mas que está entranhado no Partido Comunista Chinês, sejam a crítica e a autocrítica. Wen já fez uma autocrítica publica. Portanto, para preparar as próximas décadas, já começaram a ser tomadas as providências na busca do equilíbrio.
O outro lado
O ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, avalia que não existe motivo de preocupação com a expansão da economia brasileira. Segundo ele, não há superaquecimento econômico nem inflação de demanda no país. “O crescimento da economia se dá de forma equilibrada”, afirmou, ao comentar os índices do crescimento, significativamente elevados, do Produto Interno Bruto (PIB).
Mantega diz que a economia continuará crescendo até o final do ano no mesmo ritmo de hoje: “Nem mais e nem menos, entre 4,7% e 4,8%”. Acrescenta que a melhor previsão é de uma expansão do PIB entre 4,5% a 5%. “Já estamos nesta velocidade, mantendo um crescimento harmônico sem os picos da China, por exemplo, que cobrará os desequilíbrios”.

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