Durante o primeiro quadrimestre deste ano, a mídia internacional colocou o Brasil nas alturas, identificando-o como “o gigante enfim acordado”. O Financial Times chegou a prever um “Brasil-Potência em 2025”. Lula, o pseudo-autor deste milagre, foi eleito guru dos gurus da democracia e desenvolvimento.
Agora a ficha caiu. Comecemos pelo Financial Times, aquele da “potência em 2025”. Escreveu: “Ao todo, os investimentos no Brasil sofreram uma queda de US$1,8 bilhão desde o início deste ano, comparada a uma redução de US$ 13,5 bilhões em 2009.” Os investidores preferiram outros emergentes, A China atraiu até o momento, neste ano, US$ 6,5 bilhões contra US$ 14,6 bilhões em todo o ano passado.
Diz o Financial, numa espécie de justificativa: “Os investidores ainda apreciam o histórico financeiro do Brasil, mas foi no ano passado que o país apresentou um grande desempenho”. Houve uma certa mudança do foco das atenções para emergentes menores, como a Turquia e a Indonésia. Esta experimentou uma captação de quase US$ 1 bilhão.
Não bastasse isto, o Brasil perdeu entre 2006 e 2008 posições em 14 dos 24 indicadores que avaliam sua competitividade frente às principais economias emergentes (Rússia, Índia, China e México). A avaliação é do “Painel de Competitividade” desenvolvido pelo Banco Mundial. Ele avalia, entre outros fatores, a taxa real de juros, custo fiscal e institucional, carga tributária, índice de percepção de corrupção, custo operacional, categoria mais ligada à infraestrutura, e as leis que regem o funcionamento das empresas (tempo de abertura, patentes, capacitação de mão de obra).
Perdemos para a Índia
Como cereja do bolo, perdemos para a Índia a posição de nona economia industrial do mundo (já havíamos perdido a oitava). A liderança é ainda dos Estados Unidos. “Mas a realidade é que o mapa mundial da produção industrial está em plena transformação”, afirma Shyam Upadhyaya, diretor de estatísticas as ONU. A participação americana começou a cair a partir de 2000 (26,6%). Hoje, 18,9% da produção é americana. Quem tomou seu lugar? Á Ásia, com China e Japão. Não o Brasil.

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