Aqui onde moro é muito sossegado. Tirando uma que outra festa no edifício ao lado, cujo salão de festa com a chaminé da churrasqueira dão o ar da (des) graça para minhas janelas, é muito calmo. Isso, do lado esquerdo. Do lado direito do prédio, no alto do terreno, há duas carreiras de casas, uma atrás da outra, quase todas em madeira, cujos donos o são por um usucapião que lhes garantiu a permanência mas não a chance de melhorias. Não há calçamento, o barro já escorreu para dentro do pátio do edifício em que moro e a pobreza é visível.
Nesta tripa de casinhas, bem na última, que fica perto da janela da minha cozinha, mora uma mulher com duas crianças de seus sete, oito anos. Só vi a tal dona de casa de relance, mas a sua voz, como conheço! É um trovão! Especialmente quando esbraveja contra os filhos (que não são santos, adoram jogar ovo – que deixam de comer – contra a garagem cá de casa) e os chama de mimos como desgraçado, filho da puta (é!), seus merda etc e tal. Ameaça muito dar neles, nunca ouvi executando a barbárie física. Mas a mental e moral, uau! Nem mesmo em dia de batucada, a percussão consegue abafar a voz da furiosa.
Já no meu prédio, entre as crianças existentes, todas amoráveis, um garotinho de seus dois anos, com aquele cabelinho de franja, tipo coquinho, é um dos charmes da novíssima geração. Atualmente, anda na fase do não: não quero, não gosto, não vou subir, não vou sair, não, não e não. Os pais são pacientérrimos. Nem alteram a voz. Ao contrário: quando o garoto chora e chora e chora, a mãe, em especial, o conforta, nana, ouve com brandura. Nem uma mísera reprimenda. E faz tudo o que o gentil delfim manda. Com o que, um vizinho já com filhos criados, declarou, peremptório: “esse guri, com seis anos, vai bater na cara do pai e da mãe”.
Tudo isso conto por causa da tal lei parida pela deputada Maria do Rosário e embalada em berço esplêndido por Lula, o ídolo às avessas dos presos cubanos libertados, Lula, sabem, aquele que escolheu o lado dos tiranos e adora debochar da lei fazendo propaganda para Dilma na cara de autoridade judiciária. Então, Lula lançou, como se fosse uma obra prima, a tal lei que apelidei de DisquePalmada. E que nada mais é do que a interferência direta, obscena e ditatorial do Estado na casa de cada família.
Ah, mas ouviram até um especialista da Suécia, lugar que é uma sumidade em casos de estupro e de suicídios, me disseram. Com um dos defensores, que adora se dizer libertário, político profissional aliás, tive um bate-boca bom no twitter. Me disse ele que criou dois filhos com rigor e sem necessidade de uma palmadinha sequer. Não me disse como são os filhos. Mas os meus eu digo como são: honestos, trabalhadores, talentosos, excelentes como netos, filhos e especialmente seres humanos. E levaram, sim, umas boas palmadas quando a conversa ia longe demais na sua infância. Não me arrependo.
Quando vejo Maria do Rosário, que justiça se faça, sempre esteve enfronhada em questões de “menor”, ganhando o colo de #Lula para sua cria que só vem tornar ainda mais absurdo o tal Estatuto da Criança e do Adolescente, justamente chamado de ECA, porque é uma éca mesmo, pois quando vejo esta pantomima toda pego o saquinho e vomito. É de última: uma lei para mexer no que já é ruim e em vez de melhorar a eca, que garante a muito pivete ser solto depois de sua “reeducação” mesmo após ter matado alguém, piora ainda mais a situação de impunidade e incentivo à criminalidade.
Maria do Rosário melhor faria se, com base no que sofreu, ao flagrar, em 2003, seu cunhado, na madrugada, pegando uma menina de 11 anos (e os links para esta notícia quase todos foram apagados misteriosamente da internet) melhor faria esta senhora em cuidar para que as mães destas crianças, os pais destas crianças abusadas recebessem educação. Educação para não procriar como coelhos. Educação para exercer maternidade e paternidade responsáveis. Educação para saber o que é, de fato, botar uma criança no mundo. Educação para prevenir seus filhos contra predadores.
Mas a deputada preferiu uma lei, entrar arbitrariamente nos lares para espiar quem xinga, quem belisca, quem dá palmada nas crianças. Repressão, em resumo. Tudo o que o PT sempre condenou, dona Maria do Rosário advoga agora. Sorridente, sentada na primeira fila, olhando abismada para Lula, seu painho político e guia espiritual. Será que Maria do Rosário não aprendeu nada com sua triste lição de alguns anos atrás? E este povo, vai engolir esta sacanagem com as famílias sem se mexer e criar ao menos um abaixo-assinado como fez para botar na roda e aprovar o Ficha Limpa?
Se nada acontecer, é melhor fazer as malas, já que, a partir do DisquePalmada, cada filho, cada sobrinho, cada criança deste país será um delator apoiado pela lei, sem ter a menor condição se saber o que está fazendo. E Lula, o PT e seus ajuntados, PMDB principalmente, que envergonha sua origem ao se aliar com esta corja, ganharão quadro na sala de cada casa como aconteceu com Mao, Fidel, Ahmadinejad e todos estes podres.
