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CHINA NÃO VAI ACEITAR NOVAS PRESSÕES SOBRE O YUAN “É necessário que a China se torne autossuficiente”, diz o Livro Vermelho, de Mao Tse …

CHINA NÃO VAI ACEITAR NOVAS PRESSÕES SOBRE O YUAN

“É necessário que a China se torne autossuficiente”, diz o Livro Vermelho, de Mao Tse Tung, o mais vendido no mundo depois da Bíblia. Seu sucessor, Deng Xiaoping, na década de 1970, tornou esta autossuficiência mundial, com seu lema “Um país sob controle do partido, duas economias”. Hoje, o superávit comercial da China está a US$ 35 milhões, muito semelhante ao déficit comercial, de US$ 43 bilhões dos Estados Unidos.

No final do mês passado, em reunião do G-20, a China anunciou a valorização do Yuan em 0,43% em relação do dólar, pela primeira vez, desde 2005. E deixou bem claro que futuras valorizações dependem do balanço de pagamentos. Não aceitará pressões fora disso. Sua moeda desvalorizada incrementa vitalmente suas exportações. Não esperemos para greve outra valorização, apesar do Senado norte-americano querer impor sanções. “Valorização do Yuan é engodo?”, perguntou-se em editorial o Estado de São Paulo.

Na terça-feira do final de junho, o Yuan subiu 0,43% em relação ao dólar. No dia seguinte, baixou para 0,18%. É isso que o Estadão chama de “engodo”. Sim, engodo dos ocidentais. Não se estuda a China pela economia, e, sim, pela filosofia. A língua que falamos é do tronco indo-europeu, a China se desenvolveu afastada do Ocidente. Ela não é exótica, apenas diferente e, mesmo que os ocidentais percebam isso, teremos uma potência entre os primeiros lugares antes de 2025.

A China inventou o papel, a imprensa, a pólvora milênios antes de Cristo, enquanto os filósofos gregos lançavam as bases da cultura europeia. Ela enfrentou a guerra do ópio, Genghis Khan e os nômades. A guerra do ópio é um exemplo para a agora mais civilizada Inglaterra. No século 17, querendo chá, seda e porcelanas, não hesitaram em contrabandear ópio, habitual entre os chineses. Até que, em 1835, a China proibiu todo o comércio e inicia-se a verdadeira guerra do ópio, com contrabando e todos os meios ilegais possíveis. O objetivo era o de enfraquecer o povo chinês. Com a revolução de 1949, os vestígios da guerra terminaram. Mas, antes disso, sofreram a cruel invasão japonesa.

O filósofo francês François Julian, professor da Universidade de Paris e diretor do prestigiado Institut de La Pensée Comteponraine, esteve durante 20 anos na China, em viagens intermitentes. “Como filósofo helenista, eu precisava de uma visão de conjunto para interrogar e desconstruir a filosofia grega.” Vale a pena ler seu último livro, O diálogo entre as culturas. Como os chineses encaram a morte? “Não é uma ideia de fim, há transformação, o real se transforma.” E mais ainda: “A filosofia oriental passa ao largo da metafísica do Ocidente. O que sustenta o pensamento ocidental é o dualismo, a separação de planos, o sensível do ininteligível, a experiência do a priori, cada uma na sua gaveta. A filosofia oriental não opõe uma coisa a outra”.

Um país que raramente invadiu. Exceção do Tibete, que ela considera seu território. Quer seu território como antes das colonizações, na íntegra, com Hong Kong e Macau já resolvidos, e Taiwan protegida com unhas e dentes pelos norte-americanos. Sofreu ataques constantes de sua riqueza, trabalha em silêncio. De Mao a Deng Xiaoping, não houve perestroika deliciando o Ocidente. Para Obama e senadores do Congresso norte-americano, que pensaram em sanções: a China não é um Iraque, um Irã, um Afeganistão, uma Coréia do Norte. E o silêncio é a regra da China, por mais que se alvorotem os burocratas ocidentais.

Autor

Iara rech

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