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Chuva e falta de caráter

Dia cinza, com chuva, lembra alguns, lá da adolescência, em que, em vez de inquieta como sói a uma alma adolescente, eu deixava a …

Dia cinza, com chuva, lembra alguns, lá da adolescência, em que, em vez de inquieta como sói a uma alma adolescente, eu deixava a minha pairando entre o nada e a coisa nenhuma. Será que foi o empate do Brasil? Acho que não – desde que, em 1970, estourei um champagne guardadao, fazia tempo, na cozinha dos Bairros, lá no IAPI, e fiz a asneira de chamar vizinhos demais para bebem orar (com copos de geléia, bien sûr!), não me entusiasmo tanto com a seleção canarinho.

Será, então, o fato de Dilma ter ultrapassado Serra na mais recente pesquisa sobre as eleições para presidente? Também não. A quem, afinal, surpreendeu esta dianteira? O PSDB é pior de marketing que a lavanderia da esquina daqui da rua que, em vez de expor as mercadorias na vitrine, as empilha na parede mais escondida da loja.

Serra, coitado, todos sabemos, não tem cintura nem para uma mísera valsa, quanto mais para a eterna rumba petista. Já disse e repito: honestidade à parte (vide dossiês e outras baixarias) não tem partido como o PT para se vender com mais sucesso. Ele vende até carne podre de rato dizendo que é faisandé e o povo compra, do mais “umirdi” ao mais intelectual de carreira, o povo, enlevado, compra, saboreira, e sai falando bem. Impressionante que ninguém de outros partidos tenha aprendido. É a tal burrice genérica, me perdoem em especial os colegas publicitários e afins envolvidos nas campanhas oposicionistas.

Pode ser que esta tintura-chumbo do dia tenha me afetado porque um sujeito me chamou de prostituta no twitter. Sim. Prostituta. O nível está por aí. Tudo porque bloqueei um amigo dele, aloprado petista que eu vinha mantendo na minha lista de seguidos para exercitar a virtude da tolerância pelos feios por dentro e por fora. Mas os canalhas se unem, eventualmente, para bater. E um puxou o outro. Mas já encaminhei o nome do sujeito e sua ficha para meu advogado e vamos agora aos tribunais, o que é um saco, realmente.

Outra possibilidade para esta sensação de que o sol talvez não apareça mais está no desfile de Lula pelo cenário da desgraça nordestina, numa evidente demonstração de quanto ele preza seu curral eleitoral. Deve ser esta a diferença digamos afetiva entre a desgraça que houve em Angra, e não tirou Lula de perto de seu isopor de geladas, além das outras que houve no Brasil, e a atual, lamentável é claro, nas terras do nosso diplomata maior. E lá vai ele, desfilando para as câmeras, com sua obscena camisa vermelha agredindo os bons modos e o protocolo do luto diante de tanta destruição, tatibitando o anúncio de meio milhão para ajudar as vítimas.

Também contribuiu para encher meu saco de vômito num dia desses ler o twitter do jornalista que serve ao blog oficial de Lula (veja bem a diferença: blog de Lula e não da presidência, como deveria ser) dizendo que esteve “na baladinha” em Toronto, que se delicia provando cervejas variadas por lá, etc e tal, num dolce far niente pago às minhas custas e às custas de todo contribuinte. Detalhe: o chefe dele nem vai para o Canadá!

Assim é que se vive, hoje. Para completar, estou de cara com alguns colegas com quem já convivi no dia a dia da labuta. Alguns foram até meus subordinados, a quem eu tive a veleidade de acrescentar algum conhecimento prático nas lides da redação. Pois em especial estes, hoje tão cheios de sabedoria e experiência, debocham de quem ainda reclama daquela pernada que Gilmar Mendes deu na categoria eliminando a obrigatoriedade do diploma de jornalista.

Relendo estes choramingos todos, me dou conta agora: nada disso vale o que tenho de realmente valioso, como meus pais, meus filhos, meus cachorros e alguns amigos reais. O resto, então, que a chuva lave. E leve embora.

Autor

Maristela Bairros

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