Um mal necessário? Pelo menos é o que se depreende da manchete da Folha de S. Paulo de quinta- feira da semana passada, um dia após o Banco Central (através do Comitê de Política Monetária- Copom) anunciar a elevação da taxa de juros de 8,5% para 10,5%: “Com decisão do Copom, o Brasil mantém liderança na taxa de juros reais”, foi o registro. Descontada a inflação, o juro real ficou em 5,2%.
Acostumamo-nos a associar a palavra “liderança” a aspectos positivos, “Brasil será líder na Copa”. Talvez isto cause a estranheza. Na matéria, um único ponto positivo: “A liderança do Brasil pode representar uma entrada mais expressiva de capital externo que ocorre porque os títulos de renda fixa emitidos no país pagam mais que seus pares internacionais”. A média geral das 40 maiores economias mundiais ficou em -0,8%.
Podemos imaginar um triângulo equilátero para justificar os 10,5%: elevação acentuada das compras do consumidor, em 13,5% em termos nominais; fim dos incentivos fiscais do IPI para automóveis, eletrodomésticos e construção civil; um crescimento “anormal” do PIB de 9% em relação ao mesmo período do ano passado (na comparação com o ultimo trimestre de 2009 ficou em 2,7%), puxado em boa parte pelas isenções.
Há certamente uma moderação do crescimento, mas isto deve ser revitalizado, diz Exame. O desempenho do primeiro trimestre foi atípico, e não tende a se repetir. Conforme o resto do ano for correndo, o crescimento se dará em outras bases. O consumo das famílias já demonstra um ritmo menor de alta.
Organizações de empresários e trabalhadores foram rumorosamente contrárias à elevação. Afirmou a Confederação Nacional da Indústria, CNI: “O desafio da política econômica é conduzir o país a um ritmo de crescimento elevado sem que a taxa básica de juros prejudique os projetos de investimento das empresas”. Para a Federação do Comércio, “o aumento interfere diretamente no bom momento vivido pela economia brasileira”.
A Força Sindical acentuou que o Banco Central torce contra o crescimento econômico do país: ”É uma insanidade a decisão dos membros do Copom”. Insanidade ou não – a taxa retirada do bolso do colete pelo crescimento de 2,7% no trimestre –, o Banco Central e o governo Lula estarão em um ondulado tobogã em busca de um ponto de equilíbrio até o final deste ano.

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