Muitos economistas ilustres acreditam que “o capitalismo se move por crises”, mas nenhum deles foi à frente como Nouriel Roubini.
Era chamado de Doutor Fatalidade até prever a crise imobiliária nos EUA, a derrocada do sistema financeiro e o crescimento vertiginoso da dívida pública, que está ameaçando países inteiros. Agora Nouriel Roubini é considerado um sábio. Oliver Stone o convidou para representar a si mesmo a continuação do filme “Wall Street”. Roubini deu uma assessoria informal para Stone.
Economista turco, de origem judaica, naturalizado americano, é professor da Stern School of Business da Universidade de Nova York e presidente do grupo de consultoria RGE Monitor.
Para saber o que ele pensa, acompanhe alguns excertos de seu artigo publicado em Der Spiegel:
** No meu novo livro eu demonstro como as crises fazem parte do DNA do capitalismo. Elas não são a exceção, e sim a regra. Muitos elementos vitais para o capitalismo, como a inovação e a disposição de assumir riscos, também desencadeiam frequentes colapsos. E tudo aquilo pelo qual nós acabamos de passar poderá surgir de novo. Elas não são inevitáveis. Mas se você examinar a História verá padrões se repetirem – tais como problemas monetários, excessivamente flexíveis, vulnerabilidades alavancadas e regulações fracas. Provavelmente ainda teremos mais crises no futuro.
** Nenhuma crise é idêntica, mas todas elas são similares. Existe um estágio de boom e de bolha antes da fase do estouro. Presenciamos o valor de certos ativos, como imóveis subirem, e usamos estes ativos como garantias para empréstimos de forma exagerada e, portanto, temos um acúmulo de alavancagem no sistema financeiro. A seguir, assim que a bolha estoura, as pessoas sobrecarregadas de dívidas são incapazes de pagar.
** Possivelmente, nossa próxima bolha serão as commodities. Parte deste fenômeno não se deve à demanda, mas sim em busca de liquidez. Esta é uma das maiores preocupações do momento: nós decidimos salvar a economia global com uma quantidade maciça de liquidez. Agora corremos o risco como durante o último ciclo.
** As instituições financeiras grandes demais devem ser divididas. Temos que matar a fera de fome. A abordagem oficial tem sido criar um regime de resolução ordeira da crise. A minha preocupação é a seguinte: como é que se vai fechar uma instituição que opera globalmente?
** Há quase cem anos, o governo dos Estados Unidos fragmentou a Standard Oil – e o mundo acabou ficando com blocos maiores que o original. Mas o que eu estou propondo são restrições aos sistemas bancário comercial e de investimentos, regulamentações que já existiam até cerca de dez anos. Elas funcionaram bem.
** Eu não espero que minhas ideias sejam implementadas durante esta crise. Nós talvez tenhamos que esperar, até que propostas mais radicais sejam cogitadas. A lição é que se houver outra crise, ela será mais virulenta que esta última, causará mais estragos e será mais cara, não importa sob que ótica seja avaliada: renda, empregos, riqueza, custos fiscais. Não poderemos suportar tal coisa e colocar em risco a civilização.

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