É muito provável que da quantidade brote a qualidade. Foi este raciocínio que fez a Biblioteca do Congresso Americano receber com entusiasmo a oferta do Twitter: os usuários atualmente transmitem cerca de 55 milhões de mensagens por dia, em todo o mundo; o Twitter ofereceu ao Congresso nada menos de 10 bilhões destas mensagens breves, além da promessa de atualização constante. “Será uma história global”, acreditam os agentes envolvidos.
Reunidas, estas mensagens provavelmente terão valor considerável para futuros historiadores. O Twitter representa dezenas de milhões de usuários ativos. “Não existe arquivo com dezenas de milhões de diários”, observa Daniel J. Cohen, um professor associado de História da Universidade George Mason. “O Twitter representa o momento, é onde as pessoas são mais honestas”, ele acredita.
O Arquivo do Twitter, que nasceu digital, como dizem os arquivistas, será facilmente pesquisável por máquina – diferentemente das cartas de família ou diários empoeirados nos sótãos.
Como um registro escrito, os tweets estão muito próximos dos pensamentos originais. A maioria das fontes é escrita após o fato, mediada pela memória – e, às vezes, uma memória falsa. Os jornais são mediados pelo editores. Os tweets levam o historiador exatamente ao momento de uma forma que nenhuma outra fonte faz, e isto tem sido o mais empolgante.
Dez bilhões de mensagens de Twitter ocupam pouco espaço de armazenamento, cerca de cinco terabytes de dados; e o Twitter assegura que o arquivo será um pouco menor quando for enviado para a Biblioteca. Apesar de transferi-lo, a empresa removerá as mensagens dos usuários que optaram por designar sua conta como “protegida”, para que apenas pessoas que obtêm sua permissão explícita possam acompanhá-las.
A política de privacidade do Twitter declara: “Nossos serviços são principalmente voltados a ajudar você a compartilhar informações com o mundo. Grande parte das informações que você nos fornece é informação que você nos pede para tornar pública”.
Apesar dos tweets públicos sempre terem sido destinados aos olhos de todos, a Biblioteca do Congresso fica nervosa ao se aproximar de algo que possa ser controverso. Martha Anderson, diretora do Programa Nacional de Infraestrutura e Preservação da Informação Digital da Biblioteca, disse: “Há preocupações com a questão de privacidade a curto prazo e seremos sensíveis a isto”.

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial