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O Copom e a crise grega

O primeiro-ministro grego, George Papandreou, disse que seu país finalizou um pacote de medidas de austeridade que lhe permitirá chegar a um acordo de …

O primeiro-ministro grego, George Papandreou, disse que seu país finalizou um pacote de medidas de austeridade que lhe permitirá chegar a um acordo de ajuda financeira com a União Européia e o Fundo Monetário Internacional(FMI). O objetivo do pacote é economizar 30 bilhões de euros. A reunião do gabinete foi transmitida ao vivo pela TV para mostrar transparência.

“Estes sacrifícios nos darão fôlego e tempo para realizar mudanças mais profundas”, disse Papandreou. A crise grega tornou-se clara com o anúncio de que o déficit público, no ano passado, atingiu 13,6% do PIB, quase o dobro do ano anterior. Mas a “transparência” da TV não serviu para acalmar os ânimos da população grega.

No sábado, milhares de pessoas já tinham ido às ruas de Atenas e outras cidades para protestar contra as medidas. Em Salônica, no norte do país, os estudantes confrontaram a polícia, invadiram lojas e vandalizaram bancos. “A maioria das pessoas nas ruas quer que o governo faça os ricos pagarem pelo déficit orçamentário”, afirmou o correspondente da BBC em Atenas. Pesquisas de opinião mostram que a maioria dos gregos está irritada e apavorada com o acordo de ajuda porque não seriam responsáveis pela atual crise econômica.

Há temores de que a crise da dívida grega contamine outros países com moeda comum, como Portugal, Espanha e Irlanda. A Grécia pediu formalmente o auxílio da União Européia, que se deteve numa série de discussões. Ângela Merkel, chanceler da Alemanha, locomotiva econômica da União Européia, viu-se frente a dois fatores: eleições na Saxônia e as pesquisas indicam que 85% da população alemã é contra a ajuda. Ela acredita que a crise grega deve servir d lição para países com economias em dificuldades. 

E o Brasil?

Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, afirmou que a situação grega serve de alerta para outros países: “É um sinal de que a questão fiscal está à frente da economia mundial. É um sinal de alerta de que a questão fiscal tem que ser enfrentada”. O BC limitou-se a elevar a taxa de juros para 9,5%, negando que estivesse levantando um pequeno muro contra a crise grega. Na verdade, as crises profundas em outros países podem contaminar outras economias, conforme aconteceu na queda do bando de investimentos americano Lehman Brothers.

A taxa de juros é o instrumento utilizado pelo BC para manter a inflação sob controle ou para estimular a economia. Se os juros caem muito a população tem maior acesso ao crédito e consome mais. Este aumento da demanda pode pressionar os preços caso a indústria não esteja preparada para atender um consumo maior. Na verdade, ao elevar a taxa de juros o BC afasta os riscos de uma espiral inflacionária, que fragilizaria a economia e poderia servir de atração para os especuladores.

Autor

Iara rech

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