Como funcionam os bordéis em Não-Me-Toque?
Grandes aventuras
Eu me interesso por coisas do tipo vida submarina, planetas distantes, a expansão do universo, buracos negros, a possibilidade de existência de gelatinas inteligentes ou mesmo burras em outras galáxias. Já imaginou alienígenas com tremendo domínio tecnológico que de nossa civilização só querem saber das duplas caipiras e da duplicação da Ana Maria Braga para povoar um mundo? Mas não adianta. Pra mim o grande barato continua sendo a cabeça das pessoas. A exploração da mente é a mais perigosa e fascinante das aventuras. Com a vantagem de não precisarmos sair nem do prédio onde moramos.
Novo conto de terror
Desde que aprendeu a falar, o menino repetia:
— Quando crescer, vou ser síndico profissional.
Estilo
Não sei se vocês notaram, mas quando dizem sobre o que vão falar ou expõem os fatos, os ensaístas (de qualquer área) em geral escrevem com clareza. Na hora que começam a argumentar, quer dizer, na hora em que têm de dizer o que pensam, duesnosacuda: as vírgulas se multiplicam, as frases se ramificam, as palavras vão se tornando pomposas e opacas. Enfim, a gente não entende mais nada. Compreendo perfeitamente o mecanismo que leva a essa enrolação, mas fico matutando: quando dois ensaístas se encontram, eles fingem que não aconteceu nada, como aqueles famosos amigos que “beberam mal”?
Sem vaselina
Isabel Allende, em “A ilha sob o mar”: “Claiborne, vestido de luto pela morte de sua esposa e sua filha, vítimas da recente epidemia de febre amarela, teve a atenção despertada pela cor escura do secretário”. Olha, eu já vi muitos autores encaixando informação a ferro e fogo numa frase, mas poucas vezes com resultados tão cômicos.
Lord Jim
Assisti a dois minutos do filme de Richard Brooks baseado no romance do Conrad. Só dois minutos, por culpa do Peter O’Toole. Numa cena de batalha, ele se esconde no meio de umas árvores e fica se retorcendo igual ao Bambi com cólicas. Só faltava virar os olhinhos.
A reforma
Um velho e ilustre escritor, ao comentar a reforma ortográfica para um repórter televisivo, fez um gesto que abrangeu sua biblioteca: “Então tudo isto agora é inútil?”. Se um escritor acha que a queda de uns acentos e a troca de alguns hífens acabam com todo o conhecimento e a diversão que estão nos livros, bem, só nos resta uma coisa: oremos por ele.
Brigitte Bardot
Vi um documentário sobre a Brigitte Bardot. Foi realmente uma tremenda gostosa, mas, melhor que isso, descobri uma mulher com grande senso de humor e nada preocupada com a melhor idade. Ela disse que se encheu de ter de ser bonita todo dia. Agora, velha e feia, podia recuperar o tempo perdido.

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