A gente dá uma navegada na Internet, uma lida nos jornais, recebe emails e a esmagadora maioria trata dos mesmos assuntos. Variações pequenas sobre temas muito parecidos. Me pus a pensar. O que precisa para que falemos diferente, pensemos diferente e, finalmente, a gente aja diferente? Resumidamente, é olhar pro outro lado.
Não, não precisa necessariamente ser para o lado oposto. Pode ser para um lado diferente, tipo 90 graus ou, para ser menos quadrado, 87,5 graus. A gente precisa se destacar da multidão, não pra ganhar fama, mas pra ganhar visão. Se tá todo mundo olhando pro mesmo lado, que tal olhar pro outro lado, nem que seja pro outro lado da rua?
Certo, certo, estamos indo bem. Na teoria. Porque a teoria é, grosseiramente resumida, esta mesmo de olhar pro outro lado. A questão não é bem o que fazer, mas como fazer? Aí que o bicho pega, como sempre. A teoria, na prática é outra. Mas não necessariamente. Teoria só existe para que a prática a comprove ou como exercício de pensamento. Vamos aos fatos.
Falei no início sobre navegar na Internet, ler os jornais, receber newsletters. Eles, de fato, tratam basicamente sobre os mesmos assuntos e isto é extremamente maçante e pobre, como se a humanidade inteira estivesse resumida a uma newsletter (e, ainda por cima, com as mesmas fotos!). Então, é preciso o exercício de erguer a cabeça e olhar por cima. Se pôr na ponta dos pés, que seja. Subir em um banquinho, subir em um morro, andar de avião, ir à lua. Qualquer coisa que proporcione um ponto de vista diferenciado.
Acontece o seguinte: estamos tão envolvidos na correria do dia a dia, tão atarefados com os 23 relatórios urgentes, tentando ganhar a maldita e bendita grana, educando os filhos, indo ao supermercado, que nunca sobra tempo pra erguer a cabeça, ficar na ponta dos pés ou até olhar nas prateleiras de cima do supermercado. Até que vem o fato novo: a namorada diz que não quer mais namorar, o seu pai morre, o filho dá um sorriso diferente, você é abraçado pelo amor da sua vida de tal forma que as almas nunca mais se separam. O clique. O ó. O momento em que o céu se abre e não é pra nos levar pra lá. Um pôr do sol, uma conversa despretensiosa, um amor louco, insano e que nos tira o chão.
Informe-se, mas não leia sempre do mesmo jeito. Comece pelo fim ou pelo começo. Não beije sempre igual. Respire fundo quando as adversidades vierem, porque elas são sempre menores do que nós achamos. Se forem maiores, que a gente encontre um ombro amigo. O importante é conseguir tirar os pés do chão. Olhar pro outro lado, sem desejar a grama do vizinho, porque ela dificilmente é mais verde. E se for, deseje sua grama azul.

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial