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Fator de sucesso

George Moore, Jorge Luis Borges e tantos outros falaram da importância das lágrimas, ou do sentimentalismo a caminho da desidratação, como fator de sucesso …

George Moore, Jorge Luis Borges e tantos outros falaram da importância das lágrimas, ou do sentimentalismo a caminho da desidratação, como fator de sucesso na literatura. Sempre que me lembro disso, penso no “Meu pé de laranja-lima”, do José Mauro de Vasconcelos, ou na orfandade do Bambi. Mas há outros grandes fatores de sucesso como o populismo. Vide Jorge Amado e Isabel Allende, por exemplo.

Dizem que não há fórmulas para o sucesso. Há sempre uma pitada de sorte, claro, mas basta ler os manuais de como escrever um roteiro para Hollywood para você ver umas duas dúzias de ingredientes de que não se pode abrir mão. Vai depender da habilidade com que se dosam esses ingredientes.

Acho que aí, na busca dos fatores do sucesso, está o tema para um grande ensaio. Pode ser que a gente continue, na prática, sem saber como fazer sucesso, mas vamos sair mais esclarecidos sobre nós mesmos e nossos vizinhos. 

Dicionário do mau digitador

            Jazmim. Música perfumada.

            Mortivo. Um motivo que não vale mais.

            Belgala. Uma bela bengala belga.

            Cartigar. Mandar cartas vingativas.

Você decide

Lembram do programa da Globo? Me disseram que, em Portugal, ele se chamava (ler com sotaque) Tu Resolves. Como está na moda a interatividade, pensei num conflito ético, que proponho aqui. Se você encontrasse um roteirista, um diretor e um produtor agarrados apenas pela ponta dos dedos na borda de um precipício de trezentos metros de profundidade, o que faria?

            A) Pisaria nos dedos deles pra apressar a queda.

            B) Antes de pisar, cuspiria na cara deles.

            C) Cruzaria os braços e esperaria calmamente.

            D) Cuspiria na cara deles antes de cruzar os braços.

            E) Fingiria que ia salvá-los antes de cuspir.

Folguedos acadêmicos

Harold Bloom parece um sujeito simpático, mas precisa umas quinze páginas para não dizer nada sobre Kafka. Borges, em duas, diz tudo o que interessa.

O maior escritor brasileiro

Esses tempos um escritor se declarou o maioral entre os brasileiros. Isso me lembrou uma descrição que o Cortázar fez em “Rayuela”: um anão enormemente baixo.

Paternalismo

Vi muitos empresários dizerem que o povão não deve ver no Estado um pai, mas, sim, botar o pé na rua e se virar em nome da livre concorrência. Mas vi esses mesmos empresários mamando nas tetas do Estado a vida toda. Oquei, oquei. É preciso ver uma mãe no Estado, não um pai. Que cabeça a minha.

Papo velho

Elton John disse que Jesus era gay. Fiquei tentando descobrir outros gays insuspeitos. Não passei de Drácula e Rin-tin-tin.

Autor

Ernani Ssó

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