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Bicho cibernético

No início desta semana, resolvi me inscrever no LinkedIn. Ok, sei que estou sete anos atrasada em relação ao lançamento desta rede “de negócios”, …

No início desta semana, resolvi me inscrever no LinkedIn. Ok, sei que estou sete anos atrasada em relação ao lançamento desta rede “de negócios”, mas, para quem migrou da máquina de escrever para o computador em tempo real em meio ao fechamento de uma edição diária, estou no meu tempo. Ao contrário de Mino Carta, que não tem constrangimento em comentar que continua datilografando suas matérias, acho que sou uma criatura muito esforçada e dedicada a entender e a me adaptar a novos tempos nestas questões de tecnologia da comunicação. E não tenho medo de pagar mico, pedir ajuda e fazer bobagens. Meu negócio é aprender.

Este é um tipo de desafio de que gosto. Já desisti, faz tempo, de contrariar minha vontade de evitar cursos ortodoxos de “atualização”, venho decepcionando amigos que há anos me empurram para um mestrado ou pós, e quando me dizem “não quero me aposentar porque não sei ficar parado” tenho de controlar meu ímpeto de dizer: pode parar, isso é desculpa de preguiçoso! Por isso, a internet foi, para esta nascida no começo da década de 50, um novo mundo possível muito antes de ser slogan da chatice do fórum social mundial.

Nem tudo me agrada na área, é bom que eu esclareça. Já entrei e saí duas vezes do Orkut por achar que está por demais infestado de obviedades e exibicionismos sem motivo, larguei o MSM faz horas a ponto de nem lembrar da senha porque o Hotmail não faz minha cabeça e, afinal, tenho o GoogleTalk para o mesmo fim.  Dei um tempo no blog que abri em 2006 porque estava ficando maluca com a obrigação (que me impus) de acompanhar os amigos e os nem tanto, além de ter comentar mesmo sem vontade porque “noblesse oblige”, e, confesso com sinceridade, agora registro dias em que não tenho nem 140 toques a dizer no twitter.

Sim, também caí na Wave e a esqueci, tenho o Google Buzz e passo dias sem entrar, estou no Facebook mas como minha plataforma Tweetdeck não me mostra mais as postagens simultâneas por lá, compareço menos vezes e, como disse no começo deste texto, acabo de me inscrever no LinkedIn. Que já deu a partida me trazendo problemas: enviou convites para toda minha lista de mails certamente porque cochilei em alguma fase do processo. Já recebi mensagens de quem certamente ficou p da vida comigo. Gente que me pergunta “que bicho é esse?” e principalmente “foi tu mesma quem me mandou, porque tenho medo de abrir link para vírus?” e que, no fundo, no fundo, quer dizer: “pô, Maristela! Que sacanagem!” 

Todo este emaranhado me trouxe, enfim, a um outro tipo de rede, uma verdadeira comunidade que, por sua característica de generosidade, é a mais multiplicadora do espaço cibernético: a dos sites e blogs que publicam textos, inéditos ou não, de terceiros, e incluem ainda o luxo da interatividade com o leitor. NilNews, do Nilton Fernando, Prosa&Política, da Adriana Vandoni, Blog do Lessa, de Cláudio Lessa,  Jornal da Besta Fubana,  de Luiz Berto, Don Oleari, e Um Olhar Atento, da Diana Esnero estão entre estas parcerias que reforçam o papel da rede em aproximar e disseminar idéias. 

Sem contar os que reproduzem trabalhos e nos surpreendem agradavelmente, como o Blog do Partido Verde, Jandira Feijó  e Além M. Martins.  E tem ainda os que batem longos papos com a gente no twitter, depois reproduzem nossas crônicas, as elogiam e, num belo dia, por uma discordância ou mal-entendido qualquer, apagam tudo, sem contar que o registro no Uncle Google permanece, caso do Tão Gomes Pinto e seu Jornal do Tão. Completando o círculo, está o próprio Coletiva.net. Esta é uma samsara cibernética. 

Antes, a gente ficava no portão de casa, conversando com vizinhos, amigos, ou visitava tios e avós nos fins de semana, para fazer circular as novidades. Se ria, se chorava, se brigava, se ansiava por reencontrar ou por ficar longe um bom tempo. Como uma carta demorava a chegar e se tinha de comprar selo e borrar a mão de cola, a gente fazia questionários em cadernos decorados com lápis de cor ou comprava diários de capa dura para perguntar: “qual sua cor preferida?” “Quem levaria para uma ilha deserta?” Ou, ousadamente, “O que você acha do sexo antes do casamento?” (era começo dos anos 60…) e ia armazenando na memória o acervo das relações humanas. Hoje, podemos mergulhr na rede, este grande mistério, que nos faz plantar e colher instantaneamente alegrias, tristezas, afagos, patadas, maldades, boas ações e, principalmente, a capacidade de cada um em se expressar.

Autor

Maristela Bairros

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