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Ray Bradbury e os gigantes

Ray Bradbury acha que o fascínio pelos dinossauros é porque eles estão bem aqui, embaixo de nossos pés. Ou estavam. Agora andam no tanque …

Ray Bradbury acha que o fascínio pelos dinossauros é porque eles estão bem aqui, embaixo de nossos pés. Ou estavam. Agora andam no tanque de nossos carros e nos museus.

Essa proximidade na verdade é inquietante. Porque os dinossauros não são seres imaginários, mas são igualmente espantosos, às vezes muito mais — quem não gostaria de ter inventado o pterodáctilo? Os dinossauros são gigantes, mas nasceram na Terra, este velho planeta nosso conhecido.

Aí está. Este velho planeta nosso conhecido era outro, um planeta que não cabe bem dentro da nossa cabeça e agita nosso coração — um planeta povoado por gigantes tem outras medidas, além de outras razões de existir. Isso nos leva à pergunta inevitável: que raios aconteceu?! Como e por que o planeta deu uma guinada, liquidando os gigantes como se fossem pulgas? Uma conspiração do acaso, de Deus ou do Diabo, apenas pra que o homem tivesse sua chance? Não tem outra guinada programada pra amanhã, ou pra semana que vem? Decididamente a Terra não é um planeta confiável.

Cinema nacional

Nunca vi um filme da Xuxa nem dos Trapalhões. Mas não escapei a tempo do Cacá Diegues.

Escritora de sucesso

Li trechos de um romance lançado há pouco que foi resenhado até pela revista Caras. Não quero ser resmungão, mas a autora, cantada em prosa e verso como uma grande revelação literária, me deixou muito curioso: ela é disléxica ou gazeava as aulas de português? Pra piorar, ela quer chocar a gente. Vocês eu não sei, mas eu não tenho mais idade pra ser chocado, mesmo pela ignorância dos resenhistas.

Vozes da rua

Li o romance póstumo do Philip K. Dick. Foi um dos primeiros ou talvez o primeiro que ele escreveu. Não devia ter trinta anos. É anterior ao seu interesse pela ficção científica. Não sei se o deixou na gaveta porque achou ruim ou porque não achou editor. Como não o destruiu, talvez desejasse ver publicado. Ou teria esquecido, simplesmente? Pode ter esquecido, porque Dick teve uma fase de drogas e depois foi pirando. De tudo o que li dele, apenas O caçador de andróides, O homem duplo e Vozes da rua parecem ter sido escritos sem pressa. Fiquei imaginando que coisas Dick teria escrito se não tivesse passado pela necessidade de ganhar a vida. Esse Vozes da rua, muito mal traduzido, por sinal, dá mostras disso. Não é um bom romance, mas me emocionou ver Dick combatendo a mediocridade e o lugar-comum com uma valentia meio estranha nos Estados Unidos, onde praticamente tudo segue a cartilha de olho em Hollywood. Como me interesso pela pessoa Philip K. Dick, leio tudo dele.

Tradução

Ryta Vinagre traduziu Vozes da rua, do Dick, pra editora Rocco. Pra se ter uma ideia do nível do português dela, não do inglês, lá pelas tantas se lê algo assim: uma fita de comércio contornava o bairro.

Twitter

Todo mundo aderiu, inclusive eu, sempre resistente às modas. Então me sigam: “Piu piu piu piu”. Hummm. Meio monótono. Acho que vou desistir.

Autor

Ernani Ssó

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