Havia umas pombas na calçada, bicando pipoca de macumba. Passa uma mãe — bonita, bem vestida — com um menininho. O menininho aponta as pombas:
— Manhê, manhê, olha os passarinhos!
— Não são passarinhos, meu filho. São pombas.
— Pombas?
— É, uma espécie de pinto.
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O Farol de Santa Marta era uma vila de pescadores naqueles dias. Tinha apenas um bar: o Sabiá. No auge do verão, era frequentado por todos os turistas, umas vinte pessoas, mais ou menos.
Estávamos numa longa mesa, na rua, em meio a uma disputada partida de pôquer de dados, bebendo cerveja e exercitando a língua. Era umas oito ou nove horas da noite. Às vezes “seu Sabiá” vinha até a porta e nos olhava, o palheiro no canto da boca, com um sorrisinho satisfeito de fazendeiro que conta os bois gordos.
Repentinamente, uma lufada de vento, vinda do sul, levantou alguma coisa no chão. Essa coisa flutuou um instante por cima de nossas cabeças e foi pousar mais adiante. Era pequena, era preta, era — mas não é que era uma calcinha?
Uma menina se levantou, exclamando:
— Ai!
Pegou a calcinha e a vestiu rapidamente, voltando para o jogo. Ninguém perguntou nada, ninguém trocou um olhar. Depois dizem que o cavalheirismo morreu.
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Uma velhinha foi à farmácia em busca do remédio para pressão alta.
— Puxa, não consigo me lembrar, mas a bula tá numa prateleira lá em casa. Botei um vasinho em cima.
Aí o vendedor sugeriu:
— Quem sabe a gente liga pra lá?
— Xi, meu filho, não lembro o número. Mas peraí.
Começou a procurar na bolsa. Procurou, procurou até que achou um papelzinho. O vendedor ligou. O telefone chamou, chamou.
— Acho que não tem ninguém em casa.
Ela morava sozinha.
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Três corretoras foram conhecer um apartamento que deveriam vender. Quando chegaram, o marido da dona estava ao telefone. Ao ver três loiras que a empregada mandara entrar, disse rápido:
— Preciso desligar, cara! Tem três loiras me esperando.
Bateu o telefone e, todo gentil, começou a mostrar o dito apartamento. Quando chegaram ao quarto, não se conteve: com um sorrisinho de lado e um gesto dramático, se atirou de comprido e de costas na cama. Deu azar: acertou a cabeça na guarda da cama, quase desmaiando. As três ficaram firmes.
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Velório. A morta foi considerada mais bonita que a irmã. A irmã, viva, presente, arrumando os cabelos:
– É porque tou despenteada…
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Uma senhora, setenta anos, católica praticante:
— Eu gosto do Papa. Como homem.

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