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Os riscos do crescimento

O Brasil é o país da América Latina que mais vai crescer em 2010 (5,6% do PIB), segundo Relatório Preliminar da Comissão Econômica para …

O Brasil é o país da América Latina que mais vai crescer em 2010 (5,6% do PIB), segundo Relatório Preliminar da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), divulgado na última semana. A Cepal é o braço da ONU para a região. Porém, este futuro promissor esconde um fantasma: “A América Latina está enfrentando tão bem a crise que os países estão vendo a valorização de suas moedas”, diz Nicholas Eyzaguire, diretor da região do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional. “A direção do vento muda tão rapidamente que nós estamos preocupados com a possibilidade que a situação tornar-se boa demais para estes países”. Teremos então uma “bolha de crescimento”, onde o capital vai procurar maior rentabilidade e deixar os emergentes.

Logo após Dubai, “um requinte da crise global”, os títulos de países emergentes viraram porto seguro, como acontece com o Brasil. Os investidores rasgaram as velhas regras de funcionamento, e a nova regra é: comprar dos emergentes, pois comprar dos países desenvolvidos, que eram mais seguros, deixou de ser um ato seguor.

O pior passou

“O pior da crise ficou para trás. Os motores do crescimento já voltaram a funcionar, mas não se sabe quanto vai durar o combustível”, diz a secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena. A Cepal afirma que, apesar das projeções otimistas para a maioria dos países, não se pode garantir que esta recuperação será sustentada.

De acordo com análises da Cepal, a região vai conseguir superar a crise mais rapidamente graças a políticas anticíclicas que permitam superar as turbulências externas. Entre estas medidas, a Cepal cita a redução nas taxas de juros, o aumento da participação dos bancos estatais na concessão de créditos, e a aplicação de uma variedade de programas sociais.

O documento afirma que, à medida que o crescimento se consolidar, poderá haver “uma inflação moderada”. A dúvida é forte quanto ao cenário externo, que ainda gera incerteza e pode afetar o crescimento.

As projeções

As projeções da Cepal indicam que a recuperação será maior na América Latina e Central do que no Caribe. Além do Brasil, Peru e Uruguai também aparecem no topo. Estes países se beneficiaram, assim também como a Colômbia, com as sólidas políticas econômicas. “Eles foram bastante responsáveis em termos de políticas macroeconômicas”, diz Eyzaguirre.

O Brasil conta com alguma reserva monetária interna para dar continuidade às suas políticas anticíclicas e isso, aliado ao que está ocorrendo no comércio – que está melhorando – proporcionará a base de manobra suficiente. O técnico da Cepal e refere-se da mesma forma à Bolívia de Evo Morales. E finaliza: “Se os bancos centrais começarem a gastar muito, serão obrigados e elevar os juros, e aí será a hora do capital externo ‘quente’ entrar, aquele que busca rapidamente seus lucros”.

Autor

Iara rech

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