Vi no centro de Porto Alegre a placa de uma loja: Varejão Evangélico. Vi o anúncio de uma massagista nos classificados do Correio do Povo: Sessentona de Cachoeirinha. O que será que o Varejão Evangélico vende que outros não vendem? Se a moda pega, logo teremos produtos orgânicos evangélicos, refrigerantes zero açúcar e zero tentação, tudo benzido ainda por cima. Isso me lembra de uma campanha bolada por um amigo meu, a Coleção Nosferatu Infantil, com brinquedos para a Romênia. Mas um caderno em forma de ataúde e um lápis que também serve de estaca, ou pasta de dente com sabor de sangue, não dão pra saída, convenhamos.
Quanto à Sessentona de Cachoeirinha, ela diz que faz o diabo a quatro, até inversão. Eu, um marmanjo velho, não tenho ideia do que seja essa tal de inversão, mas temo que a coisa acabe em torcicolo ou numa crise de ciático ou mesmo numa bacia deslocada. Depois talvez dê para brincar de adeus às armas, quer dizer, de paciente e enfermeira. De qualquer forma incluí a dita inversão na minha lista de alegrias da melhor idade.
Senti, de um modo obscuro, que há uma ligação entre o Varejão Evangélico e a Sessentona de Cachoeirinha. Mas qual, além da óbvia promessa de uma realização intangível? Será que a Sessentona é tia do dono do Varejão? Não sei. São misteriosos os caminhos do Senhor.
Drogas pesadas
Crack nem pensar. O negócio são novelas e duplas caipiras.
Fantástico
Lembram da filha do Jânio Quadros? Uma vez ela apresentou um cachorro que “falava inglês”. Achei interessante que a ênfase recaísse no inglês, como se falar fosse uma coisa corriqueira.
Depois do imbróglio
Lembrei da frase “Nunca sofri a indignidade de ganhar um Prêmio Açorianos”. O Paulo Hecker Filho dizia que é minha. Mas não é, não. É do próprio Hecker. Mas, como ela tinha mais o meu jeito que o dele, eu tinha mais direito. Será? O problema é que depois que você pega fama de bandido mexicano de bangue-bangue espaguete, é difícil se explicar com los federales. Eu até concorri duas vezes, uma obrigado pelo editor e outra num momento de fraqueza. Adivinha se eu ganhei. Pra completar, uma vez fui jurado. Cumpri meu papel: não deixei os piores ganharem.
Chamando Deus às falas
Uma tira do Macedo, no Correio do Povo: um menino conversando com Deus.
Betinho: “Eu sou dono desta área!” Deus: “Eu criei esta área! Eu criei o mundo!” Betinho: “Criou o mundo…? É bom saber. O senhor tem ideia do trabalho que estou tendo para consertá-lo?”
Não sei se vocês notaram, mas pra se defender de uma piadinha dessas os teólogos precisariam encher mais de quinhentas páginas de contorcionismos. É, a vida de humorista é muito mais fácil que a de teólogo.
Gomorra
Acabei de ler Gomorra, do Roberto Saviano. Os mafiosos são os únicos neoliberais que manjam de lógica. Sem um Estado para atrapalhar, o mercado se autorregula, com a livre concorrência garantida pelos fuzis Kalashnikov.
Choros
Quem não chora não mama, como dizia o bebê de Rosemary.

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