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Portabilidade com bloqueio

Já disse em outras ocasiões o que provavelmente vai ser meu epitáfio: é um privilégio viver nesta época de internet e tecnologia facilitadora da …

Já disse em outras ocasiões o que provavelmente vai ser meu epitáfio: é um privilégio viver nesta época de internet e tecnologia facilitadora da vida. Para quem, como eu, fez curso de datilografia em duas semanas de penosas aulas, em velhíssimas máquinas, num espaço sordidamente feio, triste e sombrio de uma escola para tal fim, localizada na Avenida Alberto Bins, um touch screen é um luxo. Tudo, portanto, deveria funcionar como um sopro divino, sem problemas neste mundo de 0800, fale conosco e agendamentos virtuais. Funciona?

Não. Não funciona. No dia 21 do mês passado, resolvemos, aqui em casa, trocar de operadora de telefone móvel, em busca de principalmente economia. E fizemos contrato com a OI, optando pela portabilidade. Pouco depois, um atencioso funcionário me ligou me dando data e hora para que eu trocasse meu chip e tudo passasse a funcionar às mil maravilhas. Funcionou?

Não. Ou melhor, em parte. Porque desde o momento em que acionei meu chip OI, deixei de receber ligações de quem tem a Vivo como operadora. “Este telefone não existe” ou “Estamos impossibilitados de completar esta chamada” é o que quem me telefona de Vivo ouve. Imaginem o que isso pode representar para quem, como eu, tem no celular um equipamento de contato para trabalho. Detalhe importante: quase no momento em que assinávamos o contrato de mudança de operadora, a Vivo, através do número 01170946985, já me enviava mensagem sugerindo que eu permanecesse sua cliente. Isso se repetiria mais de uma vez com aquela conversa constrangedora em que a funcionária de call center lhe perguntar: “qual a razão para deixar o serviço?” e mesmo que você responda “pessoal, particular, privado”, ela insiste em tentar fazer com que você mude de ideia.

Antes de me estressar ainda mais, fui à loja da OI no Iguatemi, o garoto que me atendeu foi muito atencioso, e me afirmou que, só naquele dia, mais de dez pessoas o haviam procurado com o mesmo problema: não recebiam chamadas de Vivo. E prometeu solução para mais alguns dias. Funcionou?

Não. Esta semana, registrei queixa no site da Anatel contra o que considero uma desfaçatez da Vivo, mais do que a inoperância da OI que não conseguiu, pelo visto, um diálogo para interromper esta guerra das operadoras. Detalhe: para acessar a Anatel, gastei uma tarde inteira. Primeiro, o 133 que substituiu o 0800 não dá conta de tanta reclamação e deixa a gente pendurada ouvindo um violãozinho que se torna insuportável com o passar do tempo. Segundo, no mapa do Brasil estampado no site, nem sempre se consegue abrir o link clicando no Estado para pegar os telefones locais. Terceiro e pior: o atendimento eletrônico é uma desgraça. Você precisa tentar no mínimo 10 vezes se inscrever. O site “congela”, não envia nada, não dá sinal de vida. Quando, enfim, se consegue o cadastro, a senha não é aceita. Aí, tem de se pedir uma lembrança da senha. Que já vem modificada. E dê-lhe perder tempo e paciência.

Mas o retorno é rápido: dia seguinte ao da saga para se cadastrar no site da Anatel e registrar a reclamação contra a Vivo, uma funcionária telefonou para o meu celular. Dado curioso: ela reclamava que eu não havia escrito o número de meu telefone móvel na ocorrência feita no site – de fato, esqueci. Mas como é que, então, ela acessou meu número? Mas a moça foi extremamente atenciosa, embora tenha me deixado bem confusa: se identificou como da Anatel, mas encerrou a conversa dizendo que trabalhava para a Vivo. E agora? Para completar, dia seguinte, outra funcionária da Anatel telefonou e – adivinhem? – também ficou surpresa em saber que eu já havia sido contatada. Opa. Opa. Opa. Como não quero passar por ingrata, reconheço a atenção da Anatel em procurar saber detalhes do problema com tanta rapidez por telefone. Mas será que dava pra ser tudo mais fácil? Algo assim como comprar um serviço, pagar por ele e tudo funcionar como a lei estabelece?

 

Autor

Maristela Bairros

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