Como um tubarão dissecado, suspenso em um tanque de formol, pode chegar a valer US$ 12 milhões? Este paradoxo fez com que o economista americano Donald Thompson analisasse o mercado. E concluiu que uma obra de arte tem seu preço vinculado a “marcas” como Sotheby’s e Christie’s, as duas com sede em Londres. Nos países emergentes, como o Brasil, somente o topo da pirâmide pode dar-se a estes luxos, e assim mesmo em marcas fortes como são Adidas e Coca Cola.
A Christie’s é uma das mais famosas em todo o mundo. Foi fundada a 5 de dezembro de 1776 e ganhou rápida reputação entre as casas leioleiras devido ao comércio das obras de arte trazidas pelo emigrados da Revolução Francesa. A Sotheby’s realizou sua primeira venda em 1744, também com obras trazidas pelos aristocratas franceses, que já previam os ventos da Revolução. Possui no Brasil sucursais em São Paulo e no Rio de Janeiro.
O famoso tubarão- tigre, do artista Damien Hirste, obra intitulada “A impossibilidade física da morte na mente de alguém vivo”, foi comprado pelo financista americano Steve Cohen. Que dizia orgulhoso o valor e a origem, e a “marca” Sotheby’s’.
UM JEITO BRASILEIRO
Uma obra de arte tem uma espécie de carreira. Superado o primeiro obstáculo, uma exposição, já aumenta seu preço. O Brasil tem moldado suas políticas de forma tímida e desigual: uma taxa ao redor de 30% para as galerias, isentando os estrangeiros desde que apliquem de alguma forma no país.
Entre os VIPs existe concorrência. Cada qual quer ter uma obra de artista ou “marca”, enquanto os novos ricos desejam pertencer ao “clube”. “Neste mercado, tem palavras que soam como música”, diz Thompson. O economista americano tratou de cortar barreiras. E ir à prática. Na última Páscoa, lançou seu portal, com exatamente 22.703 artistas catalogados. contra 2.850 do Itaú Cultural, por exemplo. Para figurar ali, basta um pequeno currículo e, se for o caso, uma obra.”Quero quebrar esta estrutura que anda no mesmo círculo”, garante Thompson. Veremos como o mercado aceita esta radical mudança, que nasceu globalizada.

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial