Uma noite dessas peguei na tevê um pedaço do filme do Bertolucci. Sempre o achei superestimado, mas como ninguém vai me pagar pra saber em detalhes minha opinião, melhor deixar pra lá. Só gostaria de comentar a cena da manteiga. Alguém ainda lembra? Paul (Brando) joga Jeanne (Maria Schneider) no chão, de bruços. Baixa um tanto a calça dela, não muito, tem de se esforçar para meter a mão com a manteiga. Aí abre a própria calça e faz de conta que estupra Jeanne.
Faz de conta? Sim, faz de conta, porque a cara e os gemidos de Jeanne não convencem ninguém da violência. Mas mesmo que se dê um desconto pra interpretação da Schneider, ou se pense que o negócio não está tão ruim assim, tem o Brando mexendo aquele traseiro gordo pra cima e pra baixo. Era pra ser trágico. É só patético, cômico, porque não tem como Paul penetrar Jeanne naquela posição, com as calças naquela altura.
Foi então que saquei o lance do Bertolucci. É um filme de ficção científica. Paul é um alienígena com um tentáculo de polvo entre as pernas, extremamente longo e flexível. Era tudo uma paródia de “Casei-me com um monstro do espaço”.
Pressa
Nunca tive pressa de publicar. Não muita, pelo menos. Depois, os editores sempre me ajudaram nesse ponto, recusando meus originais.
Rabo de arraia
E se, num desses surtos nacionalistas que acontecem de tanto em tanto, a capoeira entrasse na moda no cinema nacional? Eu adoraria ver um filme sobre a ditadura, onde, no duelo final, nas cocheiras da Granja do Torto, o Tancredo Neves enfrentasse o general Figueiredo com grande coreografia, ao som de berimbaus importados da Bahia. Ou Getúlio Vargas, com gaúchos de bota e espora, passando da chula pro rabo de arraia com toda a desenvoltura, até amarrar os cavalos no obelisco. Ou os sete capoeiristas contratados por Antônio Conselheiro para defender Canudos. Ou a Inconfidência Mineira — Tomás Antônio Gonzaga se torna um mestre na capoeira em Moçambique, volta ao Brasil para vingar Tiradentes, recuperar Marília e tentar receber os direitos autorais de seus poemas que saíram em edições piratas. Acho que vou vender essas ideias pro pessoal da Globo.
Slogan cristão
Amar o próximo como a nós mesmos? Acho perigoso. Com tanta gente autodestrutiva por aí.
Embratel
Fiquei embatucado com aquele adesivo da Embratel: “Senhor passageiro, em caso de saudade: Faz um 21”. O cara que bolou a frase achou pernóstico, com toda a razão, usar “Faze um 21”, ou achou que era coisa lusitana, também com razão. Mas “faz” é uma opção para professores de português. Teria sido muito mais natural dizer “Faça um 21”.
Curiosidade boba
O que o mórmon faz quando as seis esposas resolvem discutir a relação?
Helena de Troia
Vi um episódio de uma série chamada Helena de Troia. Esses gringos não têm jeito mesmo. Pegam qualquer loirinha feita em série no Meio-Oeste e nos apresentam como a mulher mais bonita do mundo. Eles nem tentam nos convencer. Simplesmente aceitam a derrota.
O papelão de Picasso
Modigliani, pobre, doente, enfim consegue fazer sua primeira exposição. Em seguida aparece a polícia pra obrigar a dona da galeria a tirar os nus da vitrine. No meio da confusão, chega Picasso. Antes de olhar os quadros, diz a Modigiliani, com a cara totalmente inexpressiva, algo do tipo: “Sabe aquele quadro que tua mulher me deu? Uma madrugada dessas tive vontade de pintar e não havia nenhuma tela em casa. Então pintei sobre tua pintura. Me perdoa?” Modigliani não diz nada e vai embora. Jean Cocteau assiste a tudo, bem nervosinho, mas nem pensa em dar uma bocha em Picasso.
Sabe por que “Guernica” é bom? Picasso entendia de crueldade.
Mark Twain
“Ontem à noite tive um sonho fantástico. Surpreendi um político com as mãos nos próprios bolsos.”

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