Não, não é o da Hebe Camargo. Falo dos selinhos que, de um tempo pra cá, vêm sendo colocados em maçã, mamão e outras frutas. A ideia certamente é se diferenciar no mercado absurdamente comoditizado das frutas e verduras. Quem sabe qual é a marca da última maçã que comprou? Ou do último chuchu? Complicado.
Até aí tudo bem, se não fosse, em algumas frutas, uma verdadeira prova de resistência e paciência tirar o tal selinho. Quando é uma fruta como o mamão ou a banana, que não se come a casca mesmo, tudo bem. Podem colocar até metal, que tanto faz. Mas e a maçã? Que eu como a casca? Aí é complicado. Pois justamente – sempre tem que ser, normal. Quando a gente entra troca de fila no supermercado, a que a gente entra acaba parando, lei de Murphy – nas frutas em que se come a casca é que é bem mais difícil tirar o selinho. E se você se esquece e lava a fruta com o selinho? Aí então, a cola do selinho parece fazer mais parte da maçã do que a própria semente. É preciso trazer um maçarico para retirar o selinho.
Resolvi abordar este assunto tão prosaico porque isto tem tudo a ver com marketing. Tanto na parte da tentativa de diferenciação e consolidação da marca no mercado de commodities, tarefa dificílima, quanto na parte do incômodo que pode criar para o consumidor final (que, afinal de contas, é quem deve ser realmente objeto de preocupação). Esta iniciativa de colocar selinho partiu de alguém com boa intenção, certamente (consigo ver a cena: “Chefe! Tive uma ideia que vai revolucionar nossa empresa!"), mas que falhou na implementação.
Se eu puder optar na hora de comprar entre duas maçãs, uma com o selinho e outra sem, opto pela sem, é claro. Assim, uma iniciativa que partiu de uma boa ideia, acabou sendo um tiro no pé. Há algumas semanas abordei o ruído da Anatel, sobre aquele bipe longo que é emitido quando ligamos para celulares de uma mesma operadora, por determinação da Anatel. A ideia foi boa (comunicar ao consumidor que ele está ligando para um celular da mesma operadora), mas a implementação foi um desastre. Milhares de pessoas devem ter reclamado e eles, ao menos, reduziram o tempo de duração do bipe. Só para terminar, em grande estilo: também a champanhe que tomo tem um defeito, que é chato: tem aquela fitinha que a gente puxa para tirar o lacre, sabe? Só que NUNCA funciona. Ela arrebenta no caminho, ou nem com alicate para conseguir fazer aquilo cumprir a sua função.
De novo, ressalto: parece um assunto banal, mas não é: são pequenas coisas que incomodam o meu dia-a-dia (e certamente o de milhares de pessoas). Só isto já seria um problema, mas o problema maior é que, havendo similaridade de produtos e aparecendo um semelhante, mas sem estes problemas de que falei, migro imediatamente para o mais “fácil”. Eu e a torcida do Flamengo.

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