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O poderoso sinhozinho

Francis Ford Coppola vai fazer um filme inspirado em Sarney e Renan Calheiros. O roteiro, psicografado, é de Mario Puzo. Acho difícil que Coppola …

Francis Ford Coppola vai fazer um filme inspirado em Sarney e Renan Calheiros. O roteiro, psicografado, é de Mario Puzo. Acho difícil que Coppola consiga dar um clima grave e sombrio à história. Um clima, digamos, mais carnavalesco ou mais chanchada me parece mais próximo da extrema vulgaridade dos personagens. E pro descaramento? Seria necessário o humor de Dino Risi e Mario Monicelli. E pra avidez canibalesca? O bom companheiro Martin Scorsese. Quanto ao título, apostaria em Inimigos Públicos ou Bastardos Inglórios. Agora, o que acho mais inadequado nisso tudo é que nenhum brasileiro esteja interessado no projeto. Ou não esteja à altura dele.

Ponto de vista

Alguém disse que sexo tem movimentos limitados e posições ridículas. É verdade. Mas, na hora agá, quem se importa?

Sempre propenso, na maior parte do dia, a pensar em besteira, imagino se o sexo tivesse grande variação de movimentos e posições lindas. Teríamos livros, filmes e quadros melhores? A psicanálise teria menos pacientes? Ou muito pelo contrário? Uma coisa é certa: quase toda a pornografia deixaria de ser grotesca.

Cenas descartáveis

Sérgio Fantini, o implacável contista de A ponto de explodir, me sugere uma lista de cenas que não queremos mais ver no cinema. Ele começaria com uma clássica: casal pintando uma parede, no entusiasmo do amor acaba se pintando também. Na mesma hora pensei outras mais baratas: suspense num estacionamento subterrâneo; mocinha faz curativos no mocinho todo arrebentado e acabam transando (só se aceita em Chinatown); mocinho guarda o revólver pra dar as mesmas chances ao bandido; mocinho apanha quase até desmaiar, aí se recupera e quase mata o bandido a pancadas; homem vestido de mulher em comédias: Billy Wilder liquidou a coisa; escritor que escreve umas duas linhas, joga fora a folha, tenta de novo, fuma, tenta outra vez, o lixo está transbordando de folhas, ele anda de um lado pro outro, de repente começa a escrever loucamente; policial acerta tiro na mão do bandido que segura o revólver; casal em começo de namoro andando descalço pela praia, pior ainda se for ao pôr do sol; depois de noite tórrida, pela manhã o mocinho ou a mocinha acorda, se espreguiça, leva a mão para o lado e descobre que está sozinho; o moribundo fala com articulação invejável e aí, depois de dizer tudo o que tinha a dizer, a cabeça dele pende bruscamente para um lado; o mocinho atira, mas acabaram as balas, então ele joga o revólver no bandido; o cara leva o tiro mas é o cavalo que cai; mocinho tenta segurar a mão do bandido mas no último segundo ele cai do décimo andar; robôs, gigolôs, gorilas gigantes e assassinos de aluguel com sentimentos. Cansamos, baby.

Senso comum

Tudo que é demais enjoa, vovó me alertava, quando me via passar as tardes com a filha da vizinha. Tinha razão. Mas o pior é que, além de enjoar, às vezes é perigoso. Veja a água, a inocente água, fonte de vida em dobradinha com a luz, como nos diziam na escola. Uma vez vi um sujeito que se hidratou demais, num banho de mar. Até precisou de um salva-vidas, o pobre.

Conto capitalista

Joan Cunnane, uma inglesa de 77 anos, foi encontrada morta em casa. Um vizinho não a via há dias, foi bater na porta. Estava aberta. Chamou, deu uma espiada. Nada. Havia roupas, papéis e outros itens empilhados por todos os lados, até o teto. No outro dia, o vizinho voltou. Nada de novo. Voltou mais uma vez antes de chamar a polícia. Os policiais entraram na casa, mas não encontraram a mulher. No dia seguinte, voltaram com um caminhão e começaram a tirar as coisas da casa. Joan Cunnane foi encontrada no quarto, sob um monte de roupas e outras compras.

Deu no jornal

oOo Collor chamou Simon de “parlapatão da tribuna”. Santo Deus, quando eu ia pensar que acharia o Collor engraçado? oOo No sul, um novo jeito de governar: o cara sai do palácio direto pro banco dos réus. oOo Os escândalos políticos têm uma coisa positiva: põem em evidência o imenso talento do Angeli. oOo

Autor

Ernani Ssó

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