A única vertente dos quadrinhos na qual se pode dizer que desenvolve-se em conjunto de características profundamente nacionais é a tira. Tais características foram gestadas durante a ditadura, e a tira brasileira ganhou uma personalidade “ácida”.
Esta é uma das conclusões do trabalho Unicamp Livre com a Wikipedia. Conclui que, com o golpe militar, houve uma onda de moralismo que bateu de frente contra os quadrinhos. Em compensação, inspirou publicações que, embora perseguidas pela censura, como o Pasquim, foram bem-sucedidas. Quem não lembra dos dois fradinhos do Henfil?
A pesquisa remonta ao século XIX, com o trabalho pioneiro de Angelo Agostini, em Belo Horizonte, que introduziu os desenhos com temas de sátira política e social – as charges. No início dos anos 50, novos quadrinistas iam aparecendo, porém não conseguiam trabalho. Álvaro de Moya produziu capas para o Pato Donald e Editora Abril. No gênero do faroeste, Edmundo Rodrigues criava baseado em uma novela de rádio.
Nos anos 70 predominaram as revistas infantis, com o início da publicação das revistas de Maurício de Souza, e a montagem pela Editora Abril de um estúdio artístico. Isto deu a oportunidade para que diversos quadrinistas começassem a trabalhar profissionalmente, produzindo inicialmente histórias do Zé Carioca e outros personagens, mas também trabalhando com todos os personagens da Hanna-Berbera, adquiridos pela Abril. Artistas brasileiros continuaram a desenhar histórias de personagens estrangeiras, como Fantasma, Cavaleiro Negro, Flecha Ligeira e Mandrake. Começou a circular também a revista Mad, em português, abrindo espaço para artistas nacionais.
A década de 80 marca a consolidação do trabalho de Angeli, Glauco e Laerte. Estes três cartunistas produziram em conjunto as aventuras de Los Três Amigos (sátira western com temáticas brasileiras). Outro cartunista de sucesso na época é Miguel Paiva, criador dos personagens ‘Radical Chic’ e ‘Gatão de meia idade’ e desenhista das tiras do detetive ‘Ed Mort’, famosos por terem sido adaptados para televisão, teatro e cinema.
No século 21 a internet entrou em cena, com diversas histórias em quadrinhos brasileiras, com destaque para os Combo Rogers, criados por Fábio Yabu, que tiveram três fases – Combo Rangers, Combo Rangers Zero e Combo Rangers Revolution. Em 2003, a coleção Cabeça Oca , do goiano Chistie Queiroz, foi lançada. A série de tiras impulsionou novas publicações, como Ozzy, de Angeli.
Os Guerreiros da Tempestade formaram um grupo de super-heróis legitimamente brasileiros, tendo como arqui-inimigos seres do futuro que desejam roubar as riquezas da terra para reconstruí-la.
Hoje em dia, do ponto de grandes tiragens, há predominância da Turma da Mônica, que faz sucesso também em outros países.

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