Na última semana, um relatório demonstrou que as relações entre o Corinthians e o fundo de investimentos MSI para suposta “lavagem de dinheiro” representam apenas uma tímida ponta de um iceberg que envolve a utilização dos mesmos métodos pelo menos em outros vinte países. “O futebol é perfeito para a lavagem de dinheiro”, concluiu a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento OCDE) em seu relatório. Este foi baseado em rastreamento feito pela Força-Tarefa Financeira, uma agência internacional responsável por rastrear recursos provenientes do crime. Foi minucioso, realizado durante três anos e abrangendo 20 países. Incluiu o tráfico de pessoas, ou seja, a transferência entre países de pessoas procuradas por suspeita de atos ilícitos, utilizando a estrutura internacional do futebol.
Diz o relatório da OCDE que o esporte mais popular do mundo está atraindo os criminosos devido às transações milionárias e aos métodos obscuros do esporte. “O fluxo de muito dinheiro nos esportes tem efeitos positivos, mas também há consequências funestas”, diz o relatório.
Em um caso os investigadores obstruíram uma tentativa de lavagem de dinheiro através da compra de um famoso clube italiano, com recursos supostamente fornecidos por uma associação criminosa que opera no centro da Itália, O relatório omitiu-se de divulgar detalhes do caso. Foram citados como exemplos dois casos de evasão de impostos envolvendo jogadores da Grã-Bretanha, um ligado aos seus direitos de imagem e outro com um valor declarado inferior ao verdadeiro.
A Força-Tarefa concluiu que o futebol é especialmente atraente para quadrilhas criminosas porque a estrutura do setor facilita a entrada de recém-chegados. O documento aponta muitos órgãos legais e falta de profissionalismo na direção dos clubes.
“Outra característica que facilita a exploração por criminosos é a enorme necessidade financeira dos clubes, sempre envolvidos em transferências milionárias, nas quais o dinheiro investido é pouco conhecido e mesmo desconhecido. Entre as características ‘culturais’ do futebol está a de quebrar ‘a inocência do esporte’ em jogadores novatos, de forma a adquirir posições sociais na comunidade e credibilidade”, registra o relatório.
O uso do dinheiro vivo como forma de transferência de recursos demonstra o extremo cuidado em evitar rastreamentos de recursos, além do fato de servir para corrupção e mesmo tráfico de drogas. O relatório da OCDE, baseado nas investigações da Força-Tarefa, recomenda maior colaboração intergovernamental, além de sugerir que as recomendações na indústria do futebol sejam mais unificadas, para reduzir as regras que atraem os criminosos. Recomendou ainda pesquisa mais profunda na prática de apostas pela internet , pela importância que estão assumindo, e merecem uma investigação mais aprofundada.

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