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Êxodo

As palavras são muito antigas – Exõdus em latim, Shemôt em hebraico –, e o êxodo que está ocorrendo no Ocidente é muito atual, …

As palavras são muito antigas – Exõdus em latim, Shemôt em hebraico –, e o êxodo que está ocorrendo no Ocidente é muito atual, mas há um fato inacreditável: a migração dos mexicanos para os EUA despencou. Os dados recém-divulgados pelo governo mexicano mostram que cerca de 226 mil pessoas procuraram outros países, como o Canadá. Para os EUA ocorreu uma queda de 25%.

Pesquisadores mexicanos e americanos afirmam que o atual declínio, que se manifesta na redução das prisões ao longo da fronteira, se deve à decisão dos mexicanos de adiar a travessia devido à falta de empregos numa economia americana em dificuldades. Foi-se o tempo em que senadores americanos propunham a construção de um muro separando as fronteiras. A crise encarregou-se disto.

Enquanto isto, a situação na Inglaterra é peculiar. “Trabalhadores estrangeiros no Reino Unido têm maior capacidade de manter seus empregos” é manchete no Financial Times. Uma análise das estatísticas oficiais revela que o número de trabalhadores nascidos no Reino Unido que se encontram empregados sofreu uma queda de 18% no primeiro trimestre, numa comparação com um ano atrás.

Os polacos, principalmente, estão ocupando o espaço dos trabalhadores demitidos. O que está acontecendo? O proprietário da Lavanderia Havem, Hossei Salidade, explica: “Os ingleses chegam de manhã às 9h, almoçam do meio dia às 2h, e fazem lanche às 15h. Saem no máximo às 17h”. Os poloneses se contentam com um sanduíche minúsculo que mastigam enquanto trabalham.

Os protestos dos ingleses contra esta imigração polaca já determinaram greve. No último dia 19, centenas de trabalhadores da construção civil em vários canteiros de obras fizerem uma greve de protesto contra a contratação de 50 trabalhadores poloneses por uma empreiteira de gás natural liquefeito em Milford Haven, em Gales.

Na Espanha, o sonho virou pesadelo para o desempregado na construção civil, Celso Martiez. “Vim para cá porque minha mulher tinha parentes, e eu sonhava que as filhas chegassem até a faculdade.” Mas, na construção civil, reduziram-se os empregos ou biscates, e Martiez sentiu-se muito desconfortável, vivendo às custas de sua mulher faxineira. “Agora, no Brasil, vamos trabalhar os dois, levaremos uma vida melhor.”

Martiez tem um conselho a dar: “Para quem está no Brasil, se você tem o seu emprego, sua casinha, ou se está pagando sua casinha e tem um salário para segurar o dia a dia, fique aí. Não venha porque agora, se você acha que no Brasil as coisas estão ruins, aqui está muito pior”.

Enquanto isto, falsas promessas de emprego, até em sites, no Japão, um dos países que mais sofrem com a crise. Desempregados acorrem, gastam suas economias, pagam o agenciador, e lá são obrigados, sem emprego, a morarem quatro ou cinco no mesmo quarto. A Itália resolveu cortar o “mal” pela raiz. A Câmara dos Deputados aprovou lei que torna crime a imigração ilegal, exigindo ainda multa de R$ 28 mil, além de possível deportação. Os brasileiros de origem italiana estão entre aqueles que mais procuram a Itália para procurar emprego. Agora, a barreira que encontram está bem delimitada: “É preciso manter os empregos para os italianos”, justifica Enzo Calligaria, um dos autores do projeto.

Autor

Iara rech

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