Colégio interno, a solução para a garotada adicta de internet. Esta parece ser a solução que muitos pais franceses estão encontrando para tirar os filhos da frente do computador, em especial das redes de relacionamento. Um artigo publicado no Figaro online pergunta, inclusive, se o “Facebook é o fornecedor oficial dos internatos” atualmente.
Para mim, é uma coisa muito estranha que justamente os franceses, eternamente interpretando o quadro A Liberdade Guiando o Povo, do Delacroix, estejam optando por encarcerar os filhos por não saber como lidar com a liberdade de um e outro.
O comportamento vem se firmando há alguns meses e desafiando os educadores e os chamados pensionatos afirmam que não se passa uma semana sem que recebam um pedido de inscrição. “As crianças estão em crise, mas os pais também estão”, diz um conselheiro da instituição que regula o ensino privado francês. Sem falar num psicanalista que considera este retorno ao colégio interno um ato de desmame!
Nesta história toda, vejo como mais assustador a afirmação de que a gurizada, ela mesma, está pedindo para estudar confinada: o SOS Ado, que é uma espécie de CVV francês que ajuda pais que enfrentam problemas com os enfants nos colégios, dá subsídio para esta afirmação. Segundo uma integrante do serviço, crianças e jovens se refugiam no tele socorro buscando se preservar de conflitos familiares.
A turma da psicanálise, como sempre, cutuca a culpa paterna, falando em uma fuga dos pais de seu papel, transferindo sua autoridade para a escola em regime de internato. Corroborando esta visão, a unanimidade dos comentários feitos ao mesmo artigo do Figaro é de repúdio a esta nova moda.
A matéria, que não vir repercutir em lugar algum (inclusive, um dos leitores comenta a respeito da prioridade que o próprio Figaro deu a ela) me interessou mais porque, há duas semanas, resolvi começar a postar no twitter, este ser estranho, mais um filhote da internet, em que se escreve no máximo 140 caracteres por mensagem.
A ferramenta vem sendo incensada pelos que apontam sua instantaneidade jornalística acima de tudo, com base nas notícias que aparecem primeiro nos espaços dos tuiteiros para depois ocupar sites e, bem mais tarde, mídias “antigas”, como televisão, rádio e jornal. A exemplo dos blogs, as próprias mídias estão usando o twitter, o que retro alimenta esta samsara da vida virtual.
Confesso que até agora tuitar está sendo uma obrigação a mais de atualização na rede do que algo que dê retorno em termos de mais proximidade com leitores ou extensão da rede de relacionamento propriamente dita. Claro que é um prazer encontrar amigos novos e antigos nestes espaços sem sofá ou cafezinho. Mas até que ponto a gente está trocando até mesmo uma boa briga cara a cara por 140 toques de banalidade ou falsa cordialidade? Pior é que para nós, grandinhos, não há mais como ir para o internato e se enquadrar num velho jeito de viver. Falo daqueles tempos em que, mesmo a contragosto, se acompanhava pai e mãe nas visitas à casa dos avós em final de semana sem saber que se iam amealhando lembranças insubstituíveis para a maturidade e, mais que isso, moldando a própria vida.
