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O Capital, tema de musical chinês

A principal e hermética obra do filósofo alemão Karl Marx será o tema do musical que estreia no próximo ano em Pequim. A iniciativa …

A principal e hermética obra do filósofo alemão Karl Marx será o tema do musical que estreia no próximo ano em Pequim. A iniciativa pretende anunciar ao mundo que os chineses estão reinventando e reinterpretando os fundamentos do capitalismo a seu modo.

O que é uma verdade, pois contará com números e danças estilo Las Vegas e Broadway. A peça, que pretende ter um caráter educativo, terá como cenário uma empresa onde os funcionários acreditam que estão sendo explorados pelo patrão.

“O estilo da apresentação não é o que importa, mas sim que as ideias de Marx não sejam distorcidas”, acentuou o diretor da montagem, He Nian, em entrevista ao jornal Wen Hui Bao, traduzida para o inglês. “Será um musical descolado, que incluirá uma banda ao vivo, danças e canto”.

Para garantir a fidelidade à obra de Marx, foi contratado Zang Jun, professor de Economia da prestigiada universidade Fundan, de Xangai. Por exemplo, na peça, os trabalhadores decidem agir, mas não conseguem chegar a um acordo. Alguns empregados se amotinam, outros tentam barganhar coletivamente e um terceiro grupo resolve continuar trabalhando.

O Ministério da Propaganda chinês ainda não se manifestou. Mas Yang Shaolin, gerente do Centro das Artes Dramáticas de Xangai, afirmou ao jornal britânico The Guardian que é possível conduzir uma moderna montagem de “O Capital” com “personagens, elementos dramáticos e significado educacional” devido à explosão criativa que a China vive.

Proletários, univo-vos

“O Capital” é a obra mais conhecida de Marx, que levou 20 anos para escrevê-la, e ainda hoje é estudada. Fernando Henrique Cardoso, sem dúvida, um dos maiores intelectuais brasileiros, frequentou um grupo de estudos para deslindar este livro extremamente complexo.

Mas existe outra obra, divulgada como a primeira, de l848, o Manifesto Comunista, escrita em parceria com Friedrich Engels, seu patrono e colaborador. Tanto o início – “Um fantasma (… o comunismo) ronda a Europa” – como seu final – “Proletários de todo o mundo, univo-vos. Nada tendes a perder senão vossas cadeias” – são igualmente impactantes, aliás, seu objetivo. Interessante ressaltar que a China faça um musical com as ideias de Marx enquanto, na prática, oferece mão-de-obra barata e abundante, tanto para suas empresas como para as multinacionais, atraídas por esta redução de custos. (Com as agências internacionais).

Autor

Iara rech

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