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Não confie em ninguém com menos de 30 anos

Esta é a afirmação que está na capa do livro do escritor Mark Bauerlein, The Dumbest Generation (ainda não traduzido no Brasil), e que …

Esta é a afirmação que está na capa do livro do escritor Mark Bauerlein, The Dumbest Generation (ainda não traduzido no Brasil), e que está causando a maior polêmica nos Estados Unidos, segundo a especialista em internet Maira Costa. A chamada é uma ironia em relação ao hino dos jovens da década de 60, “Não confie em ninguém com mais de 30 anos”. Bauerlein defende a tese de que, se você tem menos de 30 anos, pertence à geração mais estúpida da história. Para o autor, os jovens nunca se desconectam, e estão sempre conectados a sites irrelevantes.

O autor prossegue dizendo que os jovens têm dificuldades de concentração e incapacidade de ler um livro de 200 páginas. Quando estão em casa, trancam-se com seus blogs, MSN, redes sociais, relacionamento exclusivo com jovens de sua faixa etária.

Mas a utilização da internet está sofrendo outros ataques. O articulista Nicholas Carr escreveu artigo para a revista “Atlantic” intitulado “Será que o Google está nos deixando burros?” Sócrates temia que a escrita afetasse a inteligência. O advento da imprensa trouxe até pânico, não fosse ela a disseminadora da Bíblia, embora contestada. Provou-se que todos estes receios eram infundados, e fizeram a humanidade progredir.

Se as pessoas se questionam sobre os benefícios do Google, como analisa o New York Times, e que nos livrou do tempo perdido na busca de informações, “existe uma hostilidade maior em relação a uma ferramenta que condensa nossas vidas em haikais”. Trata-se do Twitter. Entrevistado sobre o fato de que as pessoas que não conhecem o serviço mostrarem-se irritadas e insatisfeitas, o co-fundador do Twitter, Fack Dorsey, respondeu simplesmente: “As pessoas têm que descobrir o valor dele para si mesmas. Especialmente com algo tão sutil e simples como o Twitter. Ele é o que você faz dele”.

Talvez a resposta a estes receios não esteja somente na escrita de Sócrates ou na imprensa de Gutemberg. Ela está bem mais próxima. Como lembra o New York Times, quando a Hewlett-Packard inventou a HP-36, a primeira calculadora científica de bolso, ela foi banida em muitas escolas de engenharia. Os professores temiam que os futuros engenheiros não mais compreendessem os benefícios dos cálculos a lápis ou a régua de cálculo. Hoje estão aí estes engenheiros, produtos da HP, criando telefones celulares, TVs de alta definição, etc.

O futuro desta geração, pelo qual tanto temem Bauerlein e também Carr, vai depender de algo muito simples, as diferenças individuais. Tais diferenças sempre mostraram sua face nos milênios da história humana. Teremos adultos dispersos e “estúpidos”, e aqueles que aprofundaram-se na internet numa busca de seu aperfeiçoamento pessoal e profissional.(Com New York Times e [email protected])

Autor

Iara rech

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