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A polêmica que se criou acerca da adoção do Sítio do Laçador, aqui em Porto Alegre, por uma empresa francesa(Leroy Merlin) serve a um …

A polêmica que se criou acerca da adoção do Sítio do Laçador, aqui em Porto Alegre, por uma empresa francesa(Leroy Merlin) serve a um propósito muito importante: o debate, a reflexão.

Pode um símbolo gaúcho ser adotado por uma empresa estrangeira? Pois bem, minha posição é amplamente favorável. Esta é uma prática usual ao redor do mundo. A questão está em como se dá esta adoção. Claro que não podemos imaginar o laçador com a logomarca da empresa estampada no peito. Porém, a adoção feita de forma discreta e respeitosa para com o monumento em questão pode e deve ser feita. A partir dela, vai-se obter um cuidado com o Laçador que não haveria, ficando este somente nas mãos do poder público.

Outra questão igualmente importante é como se dará a seleção da empresa. Como se trata de um monumento, um bem público, deve ser da forma mais transparente possível. O problema é que nossos bens culturais estão bastante degradados, não apenas em Porto Alegre, mas no Brasil como um todo. O poder público não vem fazendo a sua parte, seja por impossibilidade financeira, falta de prioridade, desinteresse ou todas as alternativas. Assim é que temos monumentos, museus e áreas urbanas se deteriorando. Li críticas à iniciativa. Mas é a velha história: os que estão a criticar estavam lá antes, para buscar soluções e alternativas?

Além destas questões, há outra: as empresas estão investindo e se diferenciando frente aos olhos dos consumidores por sua responsabilidade social e ambiental. No mundo de produtos muito parecidos, quase comoditizados, os diferenciais passam a se dar por outros critérios. Então, as próprias empresas entenderam que era hora de participar do processo social. Tornarem-se agentes deste processo e isto pode incluir adoção de áreas, parques e museus, por exemplo.

Porém, não quero aqui dar uma sentença. O debate está aberto e é amplo e interessante. Não enredemos as idéias com o laço do Laçador, mas façamos o saudável choque entre elas.

Autor

Flavio Paiva

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*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

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