Quer saber o que é efeito viral? Analise o filme de Batman. Esse filme já começou a ser viralizado antes de seu lançamento. O ator que fez o vilão apareceu morto misteriosamente em um quarto de hotel. Para ajudar, algumas pistas na internet, roteiros de caça ao tesouro, agência de viagens fictícia, tudo aumentou a curiosidade.
O enredo pode ser considerado como uma aula de viralizar. O professor é o Coringa. Ele faz tudo aquilo que sempre se tenta fazer: Convencer os clientes a fazer ações diferenciadas para integrar todas as mídias. Transmite vídeos caseiros pela TV, faz inúmeras intervenções ao vivo pelo celular, envia malas-diretas para explodir carros, transforma cartas de baralho em Joker para assassinatos, usa como ninguém o marketing de guerrilha.
Em vez de armar uma emboscada para levar todos os seus inimigos para lá, como qualquer malfeitor faria, o Coringa prefere invadir a festa onde todos já estão juntos. O que impressiona é a capacidade do Coringa em manipular a opinião pública sem gastar quase nada. Como ele mesmo diz, na cena em que queima uma pilha de dinheiro dos mafiosos, “eu só preciso de coisas baratas, gasolina e pólvora”.
É uma lição para o mercado. Os argentinos, por exemplo, durante a crise econômica, tiveram que criar campanhas com pouquíssimas verbas, e viraram referência de linguagem. O Coringa até inventou uma nova maneira de usar a mecânica “clique e ligue para alguém”.
Afinal, precisa-se ser menos Batman e mais Coringa. Enquanto o primeiro gasta fortunas em carros, motos e roupas, o segundo só precisa de um kit de maquilagem vagabundo para conseguir o mesmo destaque. O filme é um MBA
Asterix e Obélix nas Olimpíadas
“Astérix nos Jogos Olímpicos” aproveita o marketing das Olimpíadas na China e estreou na última sexta-feira (não estréia internacional), data do início do megaevento esportivo. Mas justiça seja feita: os criadores dos quadrinhos, René Goscinni e Albert Uderzo, já tinham pensado no tema desta história há nada menos do que 40 anos. Segundo a Reuters, o filme será o mais caro já produzido na França, com orçamento de 78 milhões de euros.
Foi em 1968 que os quadrinistas franceses escreveram um história para seus heróis gauleses nos Jogos Olímpicos. A graça do novo filme, dirigido por Frédéric Forestier e Thomas Langmann, e que circula em cópias dubladas e legendadas, está nas atualizações. Ouro atrativo será a participação de celebridades, como o piloto alemão Michael Schumacher e o jogador francês Zinédine Zidane.
Os Jogos Olímpicos entram na vida da Gália, colônia romana no ano
Mal sabe a moça que o verdadeiro autor dos versos é o gorducho Obélix (Gerard Depardieu). Apaixonadix tem um rival sério no coração da princesa – ninguém menos do que Brutus (Benolt Poelvoorde), o filho adotivo do próprio César (o veterano Alain Delon). Como a princesa não pode dispensar o poderoso Brutus, resolve a que só vai dar sua mão ao vencedor dos Jogos Olímpicos.
Seguros de seus talentos esportivos e também dos efeitos da poção mágica de seu velho druida, Obélix, Astérix (Clovis Cornillac) e o resto da delegação gálica encaram o desafio.
Daí para a frente o maior inimigo será mesmo Brutus. Que, para começar, convence o comitê olímpico a banir quaisquer poções mágicas nos Jogos, senão consistiria em doping.
O exame antidoping por meios de insetos é uma das boas sacadas do roteiro. Assim como a introdução de uma “parada nos boxes” durante a corrida de bigas – na qual um dos participantes é Michael Schumacher em pessoa, representando a Germânia.
Um pouco adiante, um jovem egípcio vai inventar o futebol, nada menos do que o craque francês Zidane. Só que está praticamente irreconhecível, vestido a caráter como egípcio, com direito a peruca e pintura kajal nos olhos.
O destaque do elenco é o veterano Alain Delon. O imperador do cinema francês ironiza a própria figura com seu passado cinematográfico. Como quando diz: “Não preciso de ninguém, nem a Rocco e seus irmãos…” referindo-se ao famoso filme de 1960, em que atuou sob a direção de Luchino Visconti.
Atração à parte é a esperteza do Imperador para escapar das inúmeras armadilhas com que o filho ambicioso tenta matá-lo para tomar seu lugar. Este Brutus, ao contrário do personagem histórico, não tem como levar a melhor de um Júlio César muito malandro.

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