“Generación Y es un Blog inspirado en gente como yo, con nombres que comienzan o contienen una “y griega”. Nacidos en la Cuba de los años 70s y los 80s, marcados por las escuelas al campo, los muñequitos rusos, las salidas ilegales y la frustración. Así que invito especialmente a Yanisleidi, Yoandri, Yusimí, Yuniesky y otros que arrastran sus “y griegas” a que me lean y me escriban.” É assim que Yoani Sánchez, licenciada em Filologia, e que mora em Havana, apresenta seu blog Desde Cuba, pelo qual ganhou o prêmio Ortega Y Gasset por sua valente defesa da liberdade de expressão, tendo nascido e vivido toda sua vida abaixo do tacão da ditadura de Fidel Castro.
Pois é de conhecimento geral, creio, que Yoani não pôde ir a Madri receber seu prêmio. E ela debocha desta decisão em seu próprio blog , mas, nos últimos dias desta semana, a brava cubana vem sofrendo também a ação de hackers, que, para mim, devem ser bem mandados pelas autoridades cubanas.
O Generación Y tem tido dificuldades de acessos porque a Strato, provedor alemão que permite a Yoani se comunicar com o mundo, tira o endereço do ar cada vez que registra um ataque hacker.
Não é de estranhar que o blog desperte este tipo de atitude. Entre os cerca de até 3 mil comentários para cada post que Yoani deixa no endereço, existe de tudo. De simpatizantes e incentivadores do blog a gente que se diz cubana e que ela mente ou distorce a verdade sobre Cuba e os Castro e há até quem bata boca por Che Guevara – ainda, meu Deus!
Considerada pela Time uma das pessoas mais influentes de 2008, Yoani também ironiza: “Junto a noventa y nueve famosos me ha puesto la revista Time en su lista de personas influyentes del 2008. A mí, que nunca me he subido a un escenario, ni a una tribuna y que mis propios vecinos no saben si “Yoani” se escribe con “h” intermedia o con “s” final. Para más sorpresa estoy en el acápite de “Héroes y pioneros”, aunque preferiría la simple categoría de “ciudadano”.
Este é o jeito de Yoani. Ela escreve sem rancores, sem exageros, tem um texto sutilmente bem-humorado, de uma fineza pouco vista na web, ainda mais em se tratando de um “blog de resistência”.
Yoani também não está sozinha nesta briga – sua lista de links de blogs do tipo é bem expressiva. Seu trabalho, porém, se destacou e a força dos acessos a levou às distinções que ela, com certeza, trocaria pelo simples direito de ir e vir. Dela e de seus concidadãos.
Hoje, enquanto pensava neste artigo, busquei a memória das ações de resistência de jornalistas brasileiros durante o chamado período de exceção, naqueles anos 60 que se estenderam por 20 anos. E imediatamente me veio a lembrança do nosso Coojornal, um dos nanicos da década de 70 que muito incomodou o poder. Imagino se, naquela época, houvesse essa coisa milagrosa chamada internet. O que não teria feito o Coojornal?
ET: Enquanto fechava este texto, soube da morte do Artur da Távola. Lá se vai mais um dos resistentes de valor, também político atuante, um defensor ferrenho do PSDB e com certeza o maior crítico de televisão que este país já teve. Em seus textos, construídos com leveza e consistência, publicados no jornal O Globo, muito aprendi. Seu último texto, datado de ontem, está no seu site e se chama “Papo Dispersivo sobre a Paixão”. Sua última frase: “Mas amor é uma coisa muito diversa. Amor não clama nem reclama: amor dá”.
Mais um que vai fazer muita falta.
