“Irremediavelmente deprimido e insuperavelmente tímido”, assim descreveu David Michaelis em sua biografia sobre Charles Schulz, criador dos Peanuts, “muito semelhante ao seu principal personagem, Charlie Brown”. Schulz morreu há sete anos, mas os direitos autorais continuam entrando e na década de 90 atingiram US$ l bilhão, só com as tiras e licenciamentos para países tão diversos como a Croácia, a Malásia, a Arábia, a China e todo o mundo ocidental.
Na França, a tira é conhecida como “Snoopy et les Peanuts”, na Noruega “Snupi”, no Brasil Charlie Brown. Em Osaka, Japão, a Universal Studios criou um desenho tridimensional que permite que as crianças falem com Snoopy. Na biografia de Michaellis, Schulz descreve sua carreira como “perda de tempo”. Ele preferia ser conhecido como um grande artista, mas tropeçou numa linguagem universal que o tornou um grande artista.
Idéias torturadas
De onde vinham suas idéias torturadas? “Eu tenho sentimentos no fundo da mente que saem em pequenos desenhos e pequenas frases engraçadas”, confessou ele. Qualquer rabiscador sabe que rabiscos distraídos tendem a representar um estado de espírito de uma pessoa. Schulz desenvolveu os seus em forma de arte.
Ao longo de 50 anos, ele produziu 50 livros e cerca de 18 mil tiras em quadrinhos para milhares de jornais. Dezenas de empresas licenciaram suas criações em tudo, de calçados para crianças a saboneteiras e cinzeiros. Seus leitores atrevidos – não só crianças – abriram caminho para “Calvin e Haroldo”, “Garfield”, “Dilbert” e outros, desenhos derivados de Schulz.
Gentileza
Os herdeiros de Schulz, incluindo sua ex-esposa Joyce e seus cinco filhos, que cooperaram com pesquisas para Michaelis, queixaram-se que a biografia exagera seu lado ansioso e ignora sua gentileza do meio-oeste. O livro conta como o filho de um barbeiro da cidadezinha de St. Paul, no estado de Minesota, transformou-se no mais famoso cartunista americano.
O biógrafo informou que pretendiam desenhar um Charlie Brown para a capa. “Deixe que eu desenho para você”, disse, com ar ciumento. Levou 15 segundos para fazê-lo. Mas dez anos para alcançar a figura desejada desde que iniciou o personagem . “O que você quer colocar no balão?” perguntou. Como era dezembro, Michaelis pediu apenas “Feliz Natal”.


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