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TV digital, política e negócios

Lula pretendia lançar a TV Digital a 7 de setembro do ano passado, como um dos itens para alavancar sua reeleição. O ministro das …

Lula pretendia lançar a TV Digital a 7 de setembro do ano passado, como um dos itens para alavancar sua reeleição. O ministro das Comunicações secundou-o nesta pretensão, assegurando que o lançamento seria em 2006. Embora já tivesse optado pelo padrão japonês, Lula queria mais: o compromisso de cerca de US$ 2 bilhões investidos para a fabricação de semicondutores, componente usado na fabricação de transistores, microprocessadores e TVs de plasma, com transferência de tecnologia.

As negociações não foram rápidas, e a TV Digital chega em São Paulo no dia 2 de dezembro. Para os demais estados, o término da implantação está previsto para 2011. O Rio de Janeiro será o primeiro da lista. Não se sabe a colocação do Rio Grande do Sul. No máximo, Lula poderá conseguir que a inovação beneficie aquele que indicará como sucessor.

A vantagem japonesa

Além do compromisso de investimentos e transferência de tecnologia, Lula disse a seus auxiliares que pesou na decisão o padrão japonês permitir maior tempo de adaptação à era digital dos atuais aparelhos de sinal analógico. Ou seja, enquanto americanos e europeus – os outros concorrentes – previam uma fase de transição mais rápida, os japoneses se dispuseram a tornar este período mais longo num país pobre em que a TV está instalada em mais de 90% dos domicílios.

O presidente também levou em conta o lobby da grandes emissoras de TV, a favor do padrão japonês. “Não seria político da parte de Lula contrariar estas empresas num período em que disputaria a reeleição”, argumenta John Oliveira Jr., catedrático de Ciência Política na Unicamp. As grandes TVs do Brasil afirmam que o padrão japonês vai permitir maior controle nacional sobre o conteúdo transmitido.

PT entra em cena

Parte do PT chegou a fazer pressão a favor do padrão europeu, espécie de segundo colocado nos critérios do governo. Apesar desse lobby e do interesse das operadoras de telefonia no padrão europeu, o que permitiria sua entrada na área de conteúdo, o governo não conseguiu dos europeus as contrapartidas oferecidas pelos japoneses. Nas discussões internas, o ministro Hélio Costa argumentou que o padrão japonês tinha também maior qualidade do ponto de vista tecnológico do que o europeu e o americano.

O padrão digital americano foi o último colocado na avaliação do governo. Os EUA e as empresas americanas se recusaram a fazer transferência de tecnologia e a instalar fábricas no país. Hoje as empresas que produzem TVs no Brasil são praticamente montadoras. A maioria dos componentes de alta tecnologia é importada. No acordo com os japoneses, parcela destes componentes será produzida no Brasil.

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Iara rech

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