Nada de apenas jogos de biriba, campeonatos de tênis, ping-ball, festas, filmes. O mundo virtual chegou aos negócios. Não há garotas de estande nem amostras grátis para levar para as crianças. Na experiência virtual, através da internet, imitam-se situações como no mundo real. A sua utilização para uma feira da Advanced Micro Devices Inc. (AMD), fabricante de equipamentos para computadores, foi um sucesso.
Circulando com seu personagem computadorizado (avatar, escolhido através de um software especial), é possível encher sua “sacola de feira” com folhetos baixados automaticamente através da impressora de seu computador. E assistir a vídeos e palestras dos pesos-pesados de alta tecnologia. “É tudo o que uma feira de negócios real faria, “mas não exige o custo de fazer a viagem, de estada em hotel, deslocamentos”, diz Reg Herde, gerente sênior de produto da AMD no Texas. “E custa um terço de uma feira real, embora o site possa chegar a US$ 3 milhões”.
Outras aplicações
Até agora, mundos virtuais online têm se voltado mais para a socialização, jogos e diversão. Mas a AMD não é a única encontrando novas aplicações para as comunidades virtuais. A Cysco Sistems está construindo um mundo virtual onde seus parceiros e clientes possam reunir-se para exibir e discutir produtos, sem a necessidade de saírem de suas mesas.
Os avatares de estudantes podem assistir às aulas, encontrar-se com professores e compartilhar anotações do mundo real com colegas em universidades virtuais online elaboradas pela ProtonMedia, com sede na Pensilvânia. No início de outubro, a Protomédia assinou contrato com a Escola de Negócios Fuqua, da Universidade Duke, para desenvolvimento e uso de seu software de campus virtual.
O cara a cara
“O encontro face a face nunca será substituído”, analisa Chris Klaus, empreendedor de internet que fundou a Kaneva, onde os membros podem ir a festas e shopping centers virtuais. “Mas talvez, em vez de voar por todo o país a cada semana e dando telefonemas de vendas, haja uma forma mais eficiente de fazer isto virtualmente”. Claramente, as empresas estão começando a apostar mais nos mundos virtuais. Empresas de comunicação, de capital de risco e tecnologia investiram mais de US$ 1 bilhão em mundos virtuais nos últimos 12 meses, segundo avaliação da Cox Magazine.
Três mil e oitocentos
Este foi o número de clientes que a AMD conquistou através das 214 mil pessoas que visitaram o site. “Isto é muito bom”, disse Herde, “em comparação com uma feira de negócios no mundo real entre aluguel de espaço, equipamentos, viagens e outras despesas. E se uma feira dura apenas poucos dias, a nossa está sempre no ar, exigindo apenas atualizações”. Trocar as mensagens pode manter os concorrentes de fora. A AMD informa que o retorno da feira virtual “superou as expectativas”.
Resta saber, como lembrou Chris Klaus, se será possível ter êxito no mundo dos negócios sem observar as expressões faciais dos participantes.


*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial